Título: Renault lançará Logan brasileiro no começo de 2007
Autor: Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2006, Empresas &, p. B7

A Renault do Brasil já contratou todos os fornecedores da Logan, nova linha de carros de baixo custo que a montadora francesa produzirá no Brasil. A primeira versão do automóvel, um sedã igual ao que é fabricado no Leste Europeu, será lançado no primeiro semestre de 2007. A partir daí, a empresa fará um lançamento a cada sete meses até ter três versões da família desse modelo. Com isso, estará concluído o investimento de US$ 120 milhões que há exatamente um mês o presidente mundial do grupo, Carlos Ghosn, prometeu para o Brasil. O projeto inclui ainda mais duas versões do médio luxuoso Mégane, apresentado ontem. O presidente da Renault do Brasil e diretor geral no Mercosul, Pierre Poupel, conta que a montadora já está na fase de conclusão dos protótipos do Logan, que servirão para os primeiros testes com o modelo. Segundo o executivo, esse novo automóvel já estreará no mercado com 90% de peças nacionais. Trata-se de um dos mais altos índices já alcançados em um lançamento de carro no Brasil. Segundo Poupel, isso provocará incremento no número de fornecedores locais. O preço do Logan no Brasil é a grande incógnita e motivo de maior especulação, já que foi o que mais chamou a atenção na Europa. Segundo o vice-presidente comercial da Renault do Brasil, Christian Pouillaude, na Romênia, a empresa conseguiu um custo de produção de 3 mil euros por carro, um dos mais baixos em toda a indústria automobilística. Neste caso, a Renault conseguiu atrair para a Romênia boa parte dos fornecedores que já tinha na Turquia. A montadora francesa já sonha com o salto de participação de mercado que poderá dar com a renovação de produtos. Poupel projeta dobrar até 2009 a fatia de hoje, de apenas 3%. Pouillaude diz que a primeira versão do Logan será praticamente igual à desenvolvida no Leste Europeu. No entanto, já o projeto da segunda versão será elaborado com maior participação da engenharia brasileira. Este é um dos pontos mais favoráveis para o Brasil na estratégia traçada por Carlos Ghosn. Para isso, a montadora prevê mais do que dobrar o número de engenheiros atualmente trabalhando na fábrica brasileira, instalada em São José dos Pinhais (PR). Hoje a equipe de engenharia é de cerca de 60 profissionais. A Renault não adianta os planos futuros de aumento de produção no Brasil. Por ora, prevê apenas que o volume de vendas no mercado brasileiro, de 47 mil veículos em 2005, pode chegar a 61 mil ainda neste ano. Existe também um plano de exportação do Logan, que ainda não foi desenhado. Segundo Poupel, a valorização do real já afeta a exportação de motores, produto mais forte nas vendas externas da companhia. Já na linha de carros, os volumes exportados são pequenos. No caso, a diferença cambial poderia ajudar nas importações. "Deveria. Mas como o nosso objetivo é fazer do Brasil uma base de exportação, é preciso aumentar o índice de nacionalização dos componentes", diz o executivo. "Não se pode pensar no dólar de hoje porque esse é o tipo de coisa que faz ondas", afirma. O equilíbrio financeiro que a Renault persegue no Brasil, desde que colocou a pedra fundamental em São José dos Pinhais há exatos 10 anos, vai ficar para o ano do lançamento do Logan, em 2007. Poupel diz que neste ano a empresa ainda fechará no vermelho. A Renault está prestes a anunciar o balanço, que deverá apontar um grande prejuízo em 2005.