Título: Banco Popular aperta a avaliação de clientes para reduzir inadimplência
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2006, Finanças, p. C2
O Banco Popular do Brasil (BPB), subsidiária do Banco do Brasil para microfinanças, vai mudar sua metodologia de concessão de crédito, numa iniciativa para baixar a elevada inadimplência. No balanço de 2005, as operações de crédito classificadas como risco H (empréstimos dados como praticamente perdidos) chegavam a 20% da carteira. O projeto de instalar unidades de atendimento em praças desassistidas também vai ser desacelerado, devido aos elevados custos de comunicação e de transporte. Hoje, todo novo cliente é contemplado com um limite de crédito de R$ 50, que é duplicado progressivamente, conforme o correntista se mostra um bom pagador, até o teto de R$ 600. No novo sistema, quem abrir conta não terá crédito antes de movimentar a conta por 90 dias. Após observar o comportamento do cliente, o BPB vai conceder ou não um limite de crédito, com base em um modelo de avaliação de risco que começa a operar em 20 de abril. O presidente do BPB, Robson Rocha, diz que a inadimplência foi alta até agora porque a instituição estava explorando um nicho desconhecido. Em um ano e meio de operação, porém, foi possível reunir uma base de dados que permite avaliar o risco desse público. Em 7 de março, a carteira somava R$ 83 milhões. O novo modelo de avaliação de risco foi desenvolvido pelo BB, já dentro de uma nova estratégia de estreitamento das relações. O BB também passa a fazer trabalhos em áreas como desenvolvimento de produtos e distribuição, para reduzir custos e para aproveitar a experiência da empresa-mãe. "O BB tem 200 anos, e o Banco Popular, menos de dois", disse Rocha. A área de varejo do BB já desenvolve um cartão de débito. Hoje, há um cartão que permite apenas saques em 4.800 correspondentes bancários. A idéia é que o cartão incentive os clientes a deixarem maior saldo na conta, ampliando a captação de depósitos à vista - em dezembro, eles somavam R$ 5,3 milhões. Está prevista ainda maior integração dos canais de distribuição. Clientes do BB poderão fazer movimentações nos pontos de atendimento do BPB, e os terminais de auto-atendimento do BB vão ser abertos para os cerca de 1,5 milhão de clientes do BPB. A aproximação com o BB e a nova metodologia de concessão de crédito também vão reforçar a imagem de banco do BPB, afirma Rocha. "Não está claro para todos os clientes que somos um banco", avalia. "Muitos nos identificam como uma financeira ou até como programa social." A reorientação da estratégia do BPB, que pretende entrar no azul em 2007, inclui ainda uma revisão na prateleira de produtos. Três linhas de crédito lançadas em experiências piloto - financiamento de bens duráveis, bens de produção e de materiais de construção - estão sendo suspensas. E serão lançados novos produtos para intensificar a relação com os clientes.