Título: Previ obtém superávit de R$ 9,1 bilhões
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2006, Finanças, p. C3
Fundo de Pensão Fundação contabiliza o melhor resultado de sua história e já pensa em reduzir contribuições
Com um resultado positivo recorde de R$ 9,1 bilhões obtidos em 2005, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, acumula nos últimos três anos superávit de R$ 18,9 bilhões. Há um excedente de 40,6% sobre as reservas matemáticas ou passivo atuarial da Previ, de R$ 46 bilhões. O fundo tem hoje quase R$ 20 bilhões de folga em relação a seus compromissos com os beneficiários, caso a liquidação tivesse de ser feita hoje. Em 2004, o superávit foi de R$ 5,7 bilhões e, em 2003, de R$ 7,7 bilhões, descontado um déficit de R$ 4 bilhões até 2002. Para comemorar a situação inédita de "excelente solvência", o presidente da Previ, Sérgio Rosa, adiantou ao Valor que o maior fundo de pensão do país já estuda rever benefícios e reduzir em 50% o percentual das contribuições do patrocinador, o BB, e dos participantes (beneficiários e funcionários da ativa) no plano de benefício definido. Baixariam de 8% para 4% sobre o salário. As contribuições somam atualmente R$ 1 bilhão (R$ 500 milhões do banco e R$ 500 milhões dos participantes) e seriam reduzidas à metade. O patrimônio da Previ fechou 2005 em R$ 83,1 bilhões, o que representa a maior carteira de investimentos da América Latina. Deste total, 60,5% (R$ 49,8 bilhões) estão alocados em renda variável; 33% (R$ 27,1 bilhões) em renda fixa e 3,2% (R$ 2,6 bilhões) em imóveis. A rentabilidade da carteira de ações e participações (renda variável) chegou a 27,2%, ajudando a puxar para cima a rentabilidade dos ativos do fundo, que foi de 22,6%, percentual superior à meta atuarial de 11,4% (INPC mais 6%). A carteira de renda fixa atingiu ganho de 17,3% e a rentabilidade dos imóveis - considerada estagnada pelo presidente da Previ - alcançou 13,4%. "Soubemos surfar no ambiente de rentabilidade no mercado de capitais da melhor maneira possível. Ficamos no topo da onda do bom momento da economia brasileira", disse. Mas, observou que 2005 foi um ano de dissonância para a Previ. "Nunca tivemos resultados tão significativos, mas também nunca fomos fomos tão xingados e atacados pelas CPIs. Acho que este resultado foi uma boa resposta para quem achou que a gente aqui estava fazendo negócios que não eram do interesse próprio da Previ. Trabalhamos com nosso sigilo bancário e telefônico e fiscal quebrados pelas CPIs, que têm acesso a informação direta na fonte sobre nossos investimentos. Quem trabalha desse jeito tem de ter bastante certeza de que não deixa rabo", alfinetou Rosa. Para 2006, a Previ pretende continuar a diminuir recursos em renda variável, como fez em 2005, quando desinvestiu R$ 1,5 bilhão. Mas Rosa revelou que está conversando com a Secretaria de Previdência Complementar (SPC) sobre o enquadramento da carteira da Previ. A fundação tem de reduzir sua exposição em ações e participações dos 60,1% atuais para 50% até 2012. Segundo ele, com o volume atual da carteira de ações, de R$ 49,8 bilhões, para trazer isso à metade nas condições de hoje, teria de vender R$ 9 bilhões em cinco anos, o que daria R$ 2 bilhões/ano. Isso poderia acarretar prejuízos ao mercado e a patrimônio do fundo. "Há algumas questões na resolução 3.121 do Conselho Monetário (que determina o enquadramento dos fundos) que precisam ser conversadas. A SPC tem margem de manobra. Senão, esta lei pode prejudicar ao invés de ajudar os fundos." Sobre o conflito com o Opportunity, Rosa informou que a Previ, como fez o Citibank, pretende abrir processo para receber indenização por prejuízos na Brasil Telecom. Quanto à Telemig, no dia 20, em assembléia da empresa, a Previ pretende recuperar seu controle e deverá colocar a companhia à venda. Segundo Rosa, há investidores interessados, como Claro e Vivo. Nesse caso, a Previ será pragmática, pois terá de se entender com o Opportunity para o banco vender sua parte.