Título: Simulações medem impacto de corte tarifário
Autor: Sergio Leo
Fonte: Valor Econômico, 14/03/2006, Brasil, p. A5
O novo enfoque do Brasil na negociação agrícola, desviando o grosso do ataque para os subsídios domésticos dos Estados Unidos ao invés de produtos sensíveis da União Européia, é respaldado por simulações que estão no centro das negociações na OMC. As simulações mostram que se o número de produtos sensíveis (que terão corte tarifário menor) for 1%, 8% ou 15% das linhas tarifárias, o potencial impacto no corte tarifário final será moderado. A proteção na UE, por exemplo, contra a concorrência externa varia pouco com esses percentuais. O problema com as simulações é que mostram média, e não indicam qual será o acesso real de mercado para os produtos. Parece certo que as mercadorias classificadas como sensíveis nos países industrializados terão apenas metade do corte tarifário dos outros produtos. A UE quer proteger carnes, açúcar, algodão, tabaco, lácteos, todos de interesse do Mercosul. As simulações mostram no geral mais os cortes médios, com ou sem produtos sensíveis. Com base nos limites de bandas propostos pelo G-20 (grupo do Brasil) e percentuais da UE, a conclusão é que o corte médio final nos países ricos deveria ficar entre 40% e 37%. Pegando os percentuais do G-20, varia entre 46% e 51%. É daí que sairá o número final de redução das alíquotas, com ou sem sensíveis. O Brasil aceitaria que os sensíveis sejam os produtos hoje com cota. A UE, porém, quer mais margem para proteger outros produtos. A briga será mais sobre tratamento do que sobre número desses produtos. Quem vai proteger os produtores precisa dar compensação aos exportadores, através de cota (entrada com restrição quantitativa). (AM)