Título: Governistas do PMDB fracassam na busca de apoio para adiar as prévias
Autor: César Felício, Ivana Moreira e Caio Junqueira
Fonte: Valor Econômico, 14/03/2006, Política, p. A10
A ala governista do PMDB, contrária à candidatura própria do partido a presidente da República, não está conseguindo apoio necessário para adiar as eleições prévias que irão escolher o candidato pemedebista ao Planalto. Ontem, o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), deu mais um passo rumo às prévias, marcadas para domingo, ao reunir os dois candidatos inscritos - governador Germano Rigotto (RS) e ex-governador Anthony Garotinho - para sortear a ordem em que os nomes deverão aparecer na cédula de votação. Parlamentares envolvidos nas negociações prevêem que as prévias serão realizadas e que o partido seguirá rachado. Os pemedebistas contrários à realização das prévias argumentam que o partido deveria aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a manutenção ou não da verticalização nas eleições deste ano, o que não deve ocorrer antes do dia 22. Por essa regra, os partidos políticos não podem firmar alianças nas eleições estaduais que contrariem as coligações nacionais. Isso significa que o PMDB, por exemplo, se tiver candidato a presidente, não poderá se aliar nos estados aos partidos que disputarem com seus próprios candidatos, como o PT e o PSDB. As alianças com o PFL também ficariam impedidas, já que o partido deverá estar na chapa do PSDB. "O ideal seria que a gente fizesse um acordo adiando as prévias para depois da decisão do STF. Se a verticalização for mantida e o PMDB tiver candidato próprio, ninguém vai querer se aliar à gente", afirmou o líder do partido no Senado, Ney Suassuna (PB), da ala governista. "Outro acordo poderia ser para que, se as prévias forem mesmo realizadas, que a gente não seja obrigado, na convenção nacional, a homologar o nome escolhido", completou. Para o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), principal defensor das prévias, a candidatura própria a presidente é importante para o partido com ou sem verticalização. Segundo ele, a apresentação de um candidato ao Planalto é a única maneira de o partido "assumir uma identidade nacional". Ao seu lado, Rigotto minimizou as dificuldades que o PMDB teria de realizar alianças nos Estados, caso lance candidato próprio e a verticalização esteja em vigor. "Essa questão da identidade própria está muito acima das questões paroquiais", disse. O governador considerou uma "violência" contra ele o eventual adiamento das prévias. Contrariando a avaliação majoritária no PMDB de que Garotinho é favorito e deve vencer as prévias, Rigotto mostrou otimismo com seu desempenho. Pelas suas contas, ele acha que vencerá em todos os grandes colégios eleitorais, exceto o Rio de Janeiro, recebendo pelo menos 62% dos votos. Temer afirmou que não havia recebido até ontem qualquer pedido para adiamento das prévias. Os governistas, representados principalmente pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e pelo senador José Sarney (AP), ainda não haviam conseguido os seis votos necessários para convocar uma reunião da executiva, na qual tentariam adiar as prévias. Nas prévias, votarão 22.751 pemedebistas que detenham mandatos eletivos ou exerçam funções partidárias nacionais ou estaduais.