Título: Minoritário critica acordo da Petrobras com Braskem
Autor: André Vieira
Fonte: Valor Econômico, 15/03/2006, Empresas &, p. B1
O empresário Boris Gorenztvaig, acionista de uma das empresas petroquímicas do Sul, rompeu o silêncio que mantinha desde o início da reorganização do pólo gaúcho e fez duras críticas à troca de ativos negociada entre Petrobras e a Braskem. "Eu suspeito que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, tenha fechado um acordo político para transformar a petroquímica num monopólio", disse o empresário, de 73 anos. "Ou o presidente democratiza o pólo e permite que outras empresas cresçam, ou realmente decreta o monopólio e entrega os ativos petroquímicos à Odebrecht". Gorenztvaig, considerado um empresário controvertido no setor, detém 15% do capital da Petroquímica Triunfo, uma fabricante de resinas do pólo gaúcho. O restante está nas mãos da Petrobras. Até o dia 31, a Petrobras dirá se exerce sua opção de aumentar sua participação de 10% para até 30% do controle da Braskem, dando em troca, entre outros ativos, sua fatia de 85% no capital social da Petroquímica Triunfo. Gorenztvaig, que há mais de 20 anos trava uma disputa judicial com a Petrobras em relação as ações da Petroquímica Triunfo, acredita que se a opção for exercida pela estatal haverá uma "concentração desnivelada no setor a favor do grupo Odebrecht", controlador da Braskem. "O monopólio representa um desequilíbrio do poder político e econômico dos baianos em relação ao Sul", disse, acrescentando que a Braskem já possui o domínio no pólo petroquímico da Bahia e, com a opção exercida, passará a deter a hegemonia no Sul. O empresário, que se manteve em silêncio nos últimos meses ao enfrentar problemas de saúde, disse que possui o direito de preferência para a compra das ações da Petroquímica Triunfo em posse da Petrobras. Porém, afirmou que não conseguirá comprá-las sem a ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Os cofres estão fechados para mim", disse. "O Lula não poderá num negócio deste porte dizer que não tinha conhecimento disso", afirmou, avaliando que a decisão será política, e não empresarial. Ele afirmou que alertou sobre o caso os presidentes da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB), sem ter recebido qualquer retorno. Gorenztvaig disse que não vem recebendo os dividendos por sua fatia na Petroquímica Triunfo - a Justiça bloqueou o pagamento - e que vem enfrentando dificuldades no seu outro negócio, a Petroplastic, a fabricante de produtos plásticos, que está parada. Ele também declarou que não vê futuro em se transformar um minoritário da Braskem caso incorporasse sua fatia na petroquímica. "Eles vão me engolir", disse. "O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) já definiu que o mercado petroquímico nacional é globalizado, tanto é que as importações de resinas representaram 20% no ano passado", disse o vice-presidente de relações institucionais da Braskem, Alexandrino de Alencar. "Não custa lembrar que um novo concorrente entrou no mercado, que foi a Rio Polímeros, utilizando uma matéria-prima diferente, que é o gás. Quem faz e define as condições de mercado é o cliente. Não há risco de monopólio", completou Alencar.