Título: Fabricação no Brasil é bem mais cara, diz Keppel
Autor: Francisco Góes
Fonte: Valor Econômico, 15/03/2006, Empresas &, p. B8

Os navios a serem produzidos pelos consórcios classificados pela Transpetro sairão entre 60% e 70% mais caros em relação a petroleiros de mesmo porte fabricados por indústrias tradicionais da Ásia e de alguns países da Europa. A avaliação é de Choo Chiau Beng, presidente executivo da empresa de estaleiros e de infra-estrutura naval Keppel Offshore & Marine, de Cingapura. "Enquanto o Brasil via ruir sua indústria naval, outras nações criaram estruturas competitivas, que aliam tecnologia de ponta, baixos custos e pessoal especializado", afirmou o executivo, que também é, desde 2004, embaixador não-residente de Cingapura para o Brasil. "Entendemos que há a necessidade de revitalizar a indústria naval brasileira, pois ela é capaz de gerar milhares de empregos. Mas a falta de know-how vai acarretar custos extras aos cofres públicos", afirmou o executivo e embaixador. Ele nega que seja lobby para levar essas encomendas para fora do país? "Temos uma indústria naval com tradição, o que pode trazer vantagens ao Brasil". Na visão do presidente da Keppel, para se tornarem viáveis, os estaleiros brasileiros precisariam de pelo menos "dez encomendas de navios por ano, por um período de dez anos". O consórcio Keppel Fels/Brasfels fez propostas para o processo licitatório da empresa de transportes da Petrobras, a Transpetro, mas foi desclassificado por não oferecer garantias financeiras. O revés não chegou a abalar o apetite da empresa em ampliar os negócios no Brasil, onde é um dos principais fornecedores de plataformas para a petrolífera. Atualmente, a subsidiária Brasfels faz a dragagem do cais de seu estaleiro em Angra dos Reis (RJ) - obra orçada em R$ 15 milhões -, que permitirá a conclusão no local das plataformas P-51 e P-52. Só essas duas encomendas devem render à Keppel US$ 1,5 bilhão. Em todo o mundo, as operações de infra-estrutura marítima renderam ao grupo Keppel US$ 4,1 bilhões do total de US$ 5,6 bilhões de vendas obtidas no ano fiscal de 2005, 43% superior em comparação a 2004. Choo está no Brasil para uma série de reuniões com governos estaduais e empresas privadas, por meio do International Entreprise Singapore (escritório de relações comerciais corporativas), para mostrar as oportunidades de negócios em seu país. "Queremos ser uma porta de entrada para os negócios na Ásia", afirmou. O executivo e embaixador diz que o comércio entre Brasil e Cingapura movimentou US$ 1,6 bilhão no ano passado. Áreas como biocombustíveis, o setor bancário, agronegócio, petróleo e gás e siderurgia estão entre as de maior interesse do governo de seu país, localizado no sudeste asiático e que possui 4 milhões de habitantes. A visita também servirá para apresentar tecnologias de infra-estrutura de aeroportos e produtos e serviços para indústria eletroeletrônica. Há no Brasil 13 empresas vindas de Cingapura instaladas ou com escritórios de representação. "A intenção é fazer, no âmbito do Mercosul, parcerias de livre comércio, ou pelo menos de redução de tarifas para algumas classes de produtos com as 13 nações do bloco da Asean", disse Choo. Já há acordos bilaterais com países como Chile e Panamá.