Título: Transpetro tentará reduzir valor de navios
Autor: Francisco Góes
Fonte: Valor Econômico, 15/03/2006, Empresas &, p. B8
Construção naval Estatal recebeu ontem propostas para 26 embarcações com preços acima dos de mercado
A abertura dos envelopes com as propostas comerciais para a construção dos 26 navios da Transpetro confirmou ontem o que todos esperavam: preços bem acima dos praticados no mercado internacional. O consórcio liderado pela Camargo Corrêa ofereceu US$ 112 milhões para construir o primeiro de um lote de dez navios classe Suezmax, a maior embarcação incluída na concorrência. O valor é 54,5% superior ao preço médio de US$ 72,5 milhões praticado no mercado, pelo mesmo tipo de navio, em novembro de 2005, segundo a consultora Clarkson. O valor refere-se a navio básico, sem os itens adicionais exigidos pelo edital. A proposta considera aço fornecido a preços internacionais, abaixo das cotações da chapa grossa vendida no mercado doméstico, segundo a estatal. Mas se forem considerados todos os acessórios, a oferta sobe para US$ 121 milhões, 31,5% acima do preço no exterior por navio com as mesmas adaptações, segundo o mercado. Situação semelhante ocorre com os demais navios incluídos na licitação, como o Aframax, cujo preço básico de US$ 98,4 milhões, oferecido pela Camargo Corrêa, ficou 40,5% acima da média do mercado. Com os itens adicionais, a proposta foi de US$ 115,2 milhões, perdendo para a oferta do consórcio Rio Naval, de US$ 112 milhões. O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, disse que a partir da abertura das propostas inicia-se a fase de negociação com os estaleiros para reduzir preços. Os ganhadores só serão anunciados ao fim dessa negociação. "Como na mesa de negociação a discussão será objetiva, com base em números, e como os interesses são convergentes, tenho convicção de que chegaremos até o fim de abril com a negociação terminando, podendo anunciar os vencedores de cada lote", afirmou. A Transpetro abrirá as negociações com quem apresentou o menor preço para construir cada lote. No lote um (Suezmax), as discussões serão com o consórcio Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Aker Promar e Samsung. Nos lotes dois (Aframax) e três (Panamax), as negociações ocorrerão com o Rio Naval (MPE, Iesa, Sermetal e Hyundai). No lote 4 (produtos), as conversações estão em andamento com Mauá Jurong, único a apresentar proposta para esse tipo de navio, destinado ao transporte de derivados, e que teve os envelopes de preços abertos em fevereiro. No número 5 e último lote (gaseiro ou GLP), a negociação será com o estaleiro Itajaí. O ponto de partida está longe do que a Transpetro espera: o Mauá Jurong ofereceu US$ 83,8 milhões para fazer o primeiro navio de produtos, o Rio Naval propôs US$ 102,6 milhões pelo primeiro Panamax e o Itajaí, US$ 49,9 milhões pela primeira embarcação para transporte de gás ou GLP. Caso uma dessas negociações não chegue a bom termo, a Transpetro poderá emitir convite para que outra empresa pré-qualificada apresente proposta. Sete empresas e consórcios foram habilitadas na licitação, mas ao fim do processo restaram quatro. O estaleiro Rio Grande desistiu e o Brasfels e Eisa Montagem foram eliminados por não apresentarem as garantias. Ontem, o Eisa informou que vai registrar sua proposta em cartório, o que deixou a incógnita se a empresa, controlada pelo grupo Sinergy, poderá recorrer à Justiça contra a desclassificação. O presidente da Transpetro aposta que o primeiro navio sairá mais caro que o segundo e este terá valor superior à terceira embarcação e assim por diante até atingir preços em patamares internacionais. Ele indicou que os principais gargalos, para baixar os preços, são o preço do aço, a produtividade e a escala de produção dos estaleiros. Na sexta, Machado estará na Usiminas para continuar as negociações sobre os preços do aço.