Título: Lucro do HSBC cresce 61,5% no Brasil e atinge R$ 850,2 milhões
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 15/03/2006, Finanças, p. C2
Apesar de o aumento da inadimplência ter inibido uma expansão maior do crédito, o HSBC Bank Brasil divulgou, ontem, lucro líquido de R$ 850,2 milhões em 2005. O resultado inclui ganho de R$ 197,1 milhões líquidos obtido com a venda da carteira de ramos elementares de seguros, a HSBC Seguros de Automóveis e Bens, para a HDI Seguros. O lucro é 61,47% superior ao obtido em 2004 e, mesmo excluindo o ganho extraordinário, ainda é 24% maior. "Foi um crescimento importante", avaliou o presidente do HSBC Bank Brasil, Emilson Alonso, ressalvando que o banco está envolvido em uma "maratona, uma corrida de longo prazo" no mercado brasileiro, o que releva alguns indicadores aquém do desejável, como o índice de eficiência e a inadimplência. "O acionista está muito satisfeito com o Brasil. Se tiver mais investimento para fazer, ele faz. Mas, estão faltando oportunidades. O que tem aparecido são vendas de operações complementares como carteiras de ativos e cartões. Às vezes, o banco não é convidado para alguns negócios", disse Alonso, referindo-se à disputa em curso pela carteira de aproximadamente 1,5 milhão de clientes do cartão American Express (Amex). O HSBC, que já investiu US$ 2 bilhões em aquisições no Brasil, desde a compra do Bamerindus, em 1997, é o único banco que emite cartão com bandeira Amex no Brasil. São 250 mil cartões, que representam 10% do total de 2,5 milhões de plásticos do banco no início deste mês, fora os 2 milhões de cartões private label e mais os 4 milhões da financeira do grupo, a Losango. A carteira de crédito do HSBC aumentou 24,27% para R$ 20,182 bilhões. Algumas linhas cresceram além da média: pessoa física, 25%; financiamento ao consumo (Losango), 25%; pequenas e médias empresas, 36%; e o empréstimo consignado, 272%. A expansão do crédito, disse Alonso, superou o esperado diante do crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), no ano passado. Normalmente, explicou, o crédito cresce cinco vezes a variação do PIB. Mas, no ano passado, a correlação foi superada. Por isso, acredita, a inadimplência cresceu e deve haver um ajuste nas carteiras neste ano, quando o crescimento do crédito deve ser de 15% a 20% . Além disso, acrescentou, a explosão do crédito consignado, ao absorver 30% da renda do tomador, esgota a capacidade endividamento. A inadimplência, medida pela relação entre despesas com provisões e crédito, cresceu de 5,7% para 6,9% entre 2004 e 2005. As despesas com provisões para devedores duvidosos aumentaram 46,99%, de R$ 1,095 bilhão para R$ 1,611 bilhão. Só no financiamento ao consumo, o aumento da inadimplência foi de 50%. "O endividamento das famílias aumentou. Tivemos ondas de perdas em março, abril e junho. Conseguimos debelar a onda e controlá- la no final do ano. Pagamos a conta no ano passado e agora, no primeiro trimestre, está tudo bem. Mas, outros bancos estão pagando a conta agora", afirmou o executivo. A perspectiva de expansão menor do crédito neste ano, não só em função do ajuste pelo desempenho da economia, mas também pelas eleições presidenciais, não favorece os projetos mais imediatos do HSBC. O banco pretende ampliar os negócios para aprimorar o índice de eficiência que, no ano passado, já melhorou, passando de 66% para 61%. Apurado pela relação entre receitas e despesas, o índice de eficiência desejável é o que se aproxima dos 50%. Alonso espera chegar a esse nível em 2008. Para isso, aposta na expansão dos negócios. O CEO lembrou que o banco vem se preparando, com a expansão da rede. No ano passado, o número de agências com horário estendido passou de 118 para 217; e o de postos de atendimento, de 375 para 403. Com isso, o banco contratou 1,9 mil bancários, elevando o quadro para 22,8 mil.