Título: Câmara segue Conselho de Ética e absolve Pedro Henry
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 16/03/2006, Política, p. A10
Depois de três meses, o plenário da Câmara voltou a analisar os casos dos parlamentares envolvidos com o mensalão de acordo com a recomendação do Conselho de Ética. Na sessão da tarde de ontem, o plenário absolveu o deputado Pedro Henry (PP-MT) das acusações de envolvimento com o esquema de pagamento de mesada a políticos com folga: 255 votos a 176, com 20 abstenções e dois brancos. O Conselho de Ética já havia proposto a absolvição de Henry por falta de provas. Na ocasião da análise do tema pelos conselheiros, o relator do caso, Orlando Fantazzini (P-SOL-SP), havia recomendado a cassação de Henry. Mas o Conselho derrubou o relatório do paulista e aprovou um substitutivo, redigido por Carlos Sampaio (PSDB-SP). E foi esse voto tucano o aprovado na tarde de ontem pelo plenário. Nas últimas três votações na Câmara - quando Romeu Queiroz (PTB-MG), Professor Luizinho (PT-SP) e Roberto Brant (PFL-MG) foram absolvidos -, o plenário havia desafiado recomendações do Conselho. Ainda ontem, a Câmara votou relatório do mesmo Carlos Sampaio sobre outro parlamentar do PP, deputado Pedro Corrêa (PE). Presidente do partido, o pernambucano é acusado de se beneficiar de R$ 4,1 milhões do valerioduto (dos quais reconhece o recebimento de R$ 700 mil do PT). A votação ainda não havia terminado quando do fechamento dessa edição. O Valor apurou que o resultado seria apertado. Poucos parlamentares apostavam na cassação ou na absolvição do colega. Ao se defender no plenário, Henry mostrou-se ferido pelas "falsas acusações". Ele foi citado pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) como um dos distribuidores de mensalão no PP. "A acusação, nos dias de hoje, impede que a verdade seja ouvida. Basta uma acusação para fazer ruir toda uma reputação construída ao longo dos anos", disse o parlamentar. "Fiquei à mercê de oportunistas de plantão. A crise chegou a tal ponto que vi que seria impossível separar o meu caso dos demais", afirmou. A absolvição de Henry já era prevista por conta da falta de provas e do próprio recuo de Jefferson nas acusações ao colega. O deputado teria entrado na lista de "mensaleiros" divulgada pelo petebista no "calor" dos acontecimentos. O próprio líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE), havia desautorizado a acusação de Jefferson. Ao pedir o voto dos colegas na tribuna, Henry pediu para ser absolvido "não pela trajetória política ou pelo passado, mas pelo presente e pelos fatos. É que preciso, pois estou do lado da verdade". A biografia foi usada por diversos parlamentares para justificar a absolvição, na semana passada, do Roberto Brant, réu confesso do recebimento de R$ 102 mil do valerioduto. Fantazzini subiu na tribuna para defender seu relatório, derrotado no Conselho de Ética, e pedir a cassação de Henry. Ele lembrou o julgamento do caso do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu. "Era impossível que toda a trama ocorresse sem José Dirceu tomar conhecimento. Da mesma forma, digo que seria impossível Pedro Henry, líder do PP na época, não saber da distribuição de mesada", afirmou. O esforço de Fantazzini foi em vão e Henry foi absolvido.