Título: Ministro da Saúde pode antecipar saída do governo
Autor: Raquel Ulhôa
Fonte: Valor Econômico, 17/03/2006, Política, p. A8
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está acompanhando com preocupação a briga interna do PMDB, na qual, até agora, a ala governista está em desvantagem. Interlocutores do presidente dizem que ele se sentiu traído pelo ministro da Saúde, Saraiva Felipe, que teria articulado contra o adiamento das prévias do PMDB, marcadas para escolher o candidato próprio do partido a presidente. Por causa disso, há um movimento nos bastidores do PMDB governista a favor da demissão do ministro antes de 31 de março, fim do prazo de desincompatibilização dos candidatos nas próximas eleições - quando o ministro deverá sair de qualquer forma, pois especula-se que pretende disputar uma indicação a vice-governador de Minas em uma composição com o PSDB de Aécio Neves. Os governistas do PMDB dizem que Saraiva havia se comprometido com eles a se licenciar do ministério para votar a favor do adiamento das prévias, na reunião da executiva que seria realizada hoje. Em vez disso, teria ajudado o grupo ligado ao ex-governador Anthony Garotinho a destituir o então líder da bancada, Wilson Santiago (PB). Um claro sinal dessa articulação seria, segundo os governistas, o fato de os sete deputados do PMDB de Minas Gerais, Estado do ministro, terem assinado a lista pedindo a destituição de Santiago. Entre eles, o suplente do ministro, Alexandre Maia. Nos últimos dias, Lula tem conversado com o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e com o senador José Sarney (AP), várias vezes por telefone, preocupado com a realização das prévias e, principalmente, com uma vitória do ex-governador do Rio Anthony Garotinho. A avaliação que ele recebeu de Renan é que, após a provável confirmação da verticalização pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a convenção de 8 de abril acabará decidindo pelo não lançamento de candidato próprio. Várias alianças partidárias que estão sendo negociadas pelo PMDB seriam inviabilizadas. (RU)