Título: Fundos discutem cortes de juros em suas metas
Autor: Catherine Vieira
Fonte: Valor Econômico, 17/03/2006, Finanças, p. C8

Os fundos de pensão já começaram um movimento tímido de redução da taxa de juro que, somada a um índice de inflação, resulta na chamada meta atuarial, geralmente fixada por IGP, IPC ou INPC mais 6%. Segundo o Secretário de Previdência Complementar, Adacir Reis, alguns poucos fundos já fizeram pequenas reduções de 0,25 ou 0,5 ponto percentual na chamada taxa atuarial de juro. "Essas primeiras reduções são uma boa sinalização, mas é preciso que o debate comece a ser amplo em todo o segmento de fundos de pensão daqui para frente", diz Reis. Segundo o secretário, o país vive um período de estabilidade prolongado, com redução dos índices de inflação e movimento de queda na taxa de juro. Como os fundos têm horizonte de muito longo prazo, a atitude mais conservadora é começar a repensar esse juro real fixado. "Assim como nos últimos anos houve uma revisão das premissas e foi atualizada a tábua atuarial, por conta do aumento da longevidade, agora é preciso pensar no juro", recomendou ele, durante um seminário sobre fundos de pensão promovido pela FGV. Segundo Luiz Limaverde, presidente da Eletros, fundo de pensão da Eletrobrás, também presente no evento, a fundação já começou a cuidar desse ajuste, reduzindo a taxa em meio ponto percentual, para 5,5%. A meta do fundo é dada pelo INPC mais essa taxa. "Fizemos um grande estudo e verificamos que seria possível fazer isso sem mexer nas contribuições, utilizando uma parte do superávit, que estava acumulado em R$ 157 milhões", explicou. Boa parte do setor, no entanto, ainda vê o tema com alguma cautela. Isso porque uma mudança na taxa de juro atuarial aumenta a exigência da chamada reserva matemática, o que, num fundo que não tem sobra de caixa (superávit), pode implicar em aumento da contribuição ou redução de futuros benefícios, conforme explicação de dois executivos de fundos de pensão. Como nos últimos três anos a tendência no setor foi de acumular superávits, a idéia seria de aproveitar os bons ventos para adotar parâmetros mais conservadores. Segundo Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Previdência Complementar Fechada (Abrapp), a discussão é importante, mas deve ser conduzida com calma. "O tema é complexo. É claro que, num cenário de inflação de 2% ao ano ficaria muito difícil encontrar ganho de 6% real em algum ativo, mas vamos discutir o tema com calma", diz.