Título: Choque no PSDB reflete conflito de gerações
Autor: Raquel Landim e Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 20/03/2006, Política, p. A6

Dentro do PSDB, os três meses de disputa entre o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador paulista, Geraldo Alckmin, para a definição do candidato à Presidência geraram também embates sobre a participação futura nas decisões do partido. A geração mais nova de filiados, insatisfeita com o centralismo, pede mais espaço nas escolhas partidárias, enquanto os tucanos históricos acreditam que nada mudará em relação às consultas às lideranças locais. Embora não tenha participado de qualquer decisão no processo de escolha do candidato tucano a presidente, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, diz acreditar que o partido sai diferente do embate. "Foi uma boa lição", afirma. De acordo com Richa, nas próximas situações em que a legenda se deparar com situação semelhante, estará mais preparado para enfrentar a situação. "É aconselhável sempre ter um fórum ampliado porque às vezes uma decisão onde poucos participam pode gerar um trauma, uma discussão, uma desunião no partido que, por sorte, não foi o que aconteceu". Alijado do processo comandado pelo triunvirato tucano formado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo governador Aécio Neves e pelo presidente da sigla, Tasso Jereissati, Richa esteve durante todo o tempo em contato com os outros prefeitos tucanos de capitais -Dario Berger (Florianópolis), Silvio Mendes (Teresina) e Wilson Santos (Cuiabá)- com os quais já tinha agendado uma ida a Brasília para discutir o tema com Tasso. A indicação de Alckmin veio antes. Richa afirma só ter tomado conhecimento das negociações pela imprensa, por onde viu também o que chama de "indignação" do governador de Goiás, Marconi Perillo, por não ter participado do processo. Na contra-mão da geração mais nova e em consonância com as decisões do triunvirato, o ex-governador do Pará, Almir Gabriel analisa que o partido não terá mudanças profundas nas formas de discussão e participação. Contrário a qualquer tipo de "assembleísmo", acredita que os indicados pelos filiados têm legitimidade para tomar as decisões. "Sou absolutamente contrário ao assembleísmo. Essa história de chamar mil pessoas para discutir, discutir e não chegar a nada, toda vez que tivermos que tomar uma decisão, só gera um 'auê' improdutivo", afirmou. Dentro do PSDB, Almir Gabriel concorda com a postura de Aécio, Tasso e FHC de decidirem pelos partidários. "Só não pode ter um só gerentão, que mande em tudo", ponderou.