Título: Transação pode criar novo gigante de seguros
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Fonte: Valor Econômico, 20/03/2006, Finanças, p. C2

Uma das maiores transações da história do mercado de seguros internacional pode se definir essa semana quando a Aviva Plc, maior seguradora do Reino Unido decidirá se faz uma oferta hostil pelo controle da Prudential PLC, ou se eleva o preço ofertado pelo controle da companhia que é a segunda maior do país. A Aviva fez uma proposta de compra das ações da Prudential na quinta-feira à noite, avaliando a empresa em 16,7 bilhões de libras esterlinas (US$ 29,3 bilhões), mas a oferta foi recusada no sábado. Uma fusão das duas seguradoras criaria uma companhia com valor de mercado combinado de US$ 63,9 bilhões, terceiro maior do setor na Europa, próximo da alemã Allianz e da francesa AXA. Seria também a maior transação do mercado segurador mundial desde pelo menos 1998, ultrapassando a aquisição da American General Corp. pela American International Group (AIG), avaliada em US$ 22,5 bilhões na época. Ambas as companhias tiveram bons resultados em 2005. O lucro líquido da Aviva subiu 38%, para 1,77 bilhão de libras, enquanto a Prudential elevou seus ganhos em 45%, para 748 milhões de libras. Analistas dizem que a lógica da transação é clara, uma vez que as duas seguradoras atuam em mercados altamente complementares. A Prudential é forte principalmente na Ásia, região onde a Aviva já demonstrou intenção de avançar. A Prudential também tem um negócio altamente rentável (embora pequeno), a Jackson National Life, que vem crescendo no mercado americano de seguros de vida, no qual o presidente da Aviva, Richard Harvey, de 55 anos, já havia admitido que a companhia é deficiente e pretende ampliar sua participação. Por outro lado, a Aviva tem negócios crescentes na Europa continental onde a Prudential - especializada em vida - não tem uma presença significativa, além de também não contar com uma presença forte em outros ramos de seguros no Reino Unido. A Prudential tem uma pequena operação no Brasil, que em 2005 faturou R$ 84,8 milhões em prêmios, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A Aviva não opera diretamente na América Latina. "Pode haver uma consolidação (de empresas de seguros) na Europa", disse no início de março o próprio Harvey, em uma entrevista. E a consolidação talvez não se resuma ao Velho Continente, já que na sexta-feira o Wall Street Journal noticiou que a Zurich Financial Services, maior seguradora da Suiça, estaria negociando a compra da St. Paul Travelers, de Minnesota, Estados Unidos.