Título: Serra abala confiança do PT na disputa paulista
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 21/03/2006, Política, p. A8
A confiança do PT em sair vitorioso no Estado de São Paulo foi abalada com a possibilidade de o prefeito José Serra ser o rival na disputa. A vitória de Serra já no primeiro turno, segundo sondagem divulgada ontem pelo instituto Datafolha, preocupa os dois pré-candidatos petistas, senador Aloizio Mercadante e a ex-prefeita Marta Suplicy. Nas pesquisas anteriores, realizadas desde o ano passado, os petistas só perdiam para o ex-governador Orestes Quércia, do PMDB. No cenário revelado ontem, Serra venceria Marta por 50% a 14%. O tucano ganharia de Mercadante por 58 % a 12%. Como um consenso, os petistas tentaram explicar o crescimento do PSDB pela grande exposição na mídia de Serra, devido ao embate partidário com Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, na indicação do candidato ao governo federal. "Essa pesquisa demonstra claramente que os tucanos não têm um bom nome para a disputa", afirmou o deputado estadual Mário Reali, defensor da candidatura de Mercadante. "A disputa entre Serra e Alckmin expôs muito os dois e a pesquisa traduz isso", disse. Com argumento semelhante, Marta Suplicy tentou minimizar o resultado. "Estamos a mais de seis meses das eleições e os resultados das pesquisas têm variado bastante. A candidatura do PT ainda vai crescer muito", afirmou a ex-prefeita, por meio de nota. "Qualquer que seja o cenário, nosso partido vai continuar trabalhando para apresentar um programa de governo com propostas sólidas e ganhar as eleições no Estado de São Paulo", finalizou na nota. A disputa entre os dois postulantes só deve ser resolvida em 7 de maio, quando está prevista uma prévia entre os 80 mil filiados ao PT paulista. "Estamos dentro do calendário. O PSDB é que tem que ter pressa, porque Serra só tem até dia 31 para se decidir", disse Jilmar Tatto, dirigente petista, lembrando o prazo final de desincompatibilização para o prefeito deixar o cargo para a disputa. A diferença das intenções de voto de Marta e Mercadante é pequena. Os aliados da petista apostam nos votos dos eleitores da capital, onde estão as obras administrativas da ex-prefeita e confiam no apoio da população mais carente, beneficiada por programas sociais durante a gestão. A comparação das realizações, fará Marta crescer nas pesquisas, acreditam. Entretanto, esse argumento apresenta-se frágil: a pesquisa Datafolha revelou que a popularidade de Serra é a maior de todos os tempos. Ele aparece com 44% de aprovação e Marta aparece com 25%, empatada com Paulo Maluf. A imagem pessoal do prefeito é considerada ótima ou boa por 50% dos entrevistados. Entre os simpatizantes de Mercadante, a boa avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ser um dos trunfos do líder do governo no Senado. Mercadante argumenta que ainda não está em campanha e acredita que sua popularidade crescerá à medida que intensificar suas viagens pelo Estado. O petista tem índices de rejeição menores do que Marta, outro ponto defendido pelos apoiadores do senador. Na disputa interna, os estrategistas de Marta tentam ganhar apoio ao caracterizar a imagem do eleitor de Mercadante como a de um paulistano com bom poder aquisitivo e com mais escolaridade, semelhante ao do que vota em Serra. "O perfil parecido pode ser perigoso para o PT e a campanha de Mercadante pode não decolar", disse Jilmar Tatto. Acima de qualquer definição do PT, a maior dúvida que paira sobre petistas - e tucanos - é se Serra será ou não candidato. Caso o prefeito dispute o governo estadual, os petistas prometem severas críticas à quebra de promessa feita meses antes da eleição de 2004, quando prometeu ficar no cargo até o fim. "Se ele sair, vamos colocar claramente que ele enganou o povo, que foi um mentiroso", afirmou Tatto. Os petistas garantem, também, que farão da disputa estadual um palco para a defesa do presidente Lula e para ataques ferozes ao governador Geraldo Alckmin, candidato à Presidência.