Título: Presidente garante agenda positiva
Autor: Cristiano Romero, Maria Lúcia e Rosângela Bittar
Fonte: Valor Econômico, 25/11/2004, Política, p. A8
Com a mesma intransigência com que defende a política econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem assegurado aos ministros e políticos que integram a sua base de sustentação no Congresso que o final de seu mandato será marcado pelo desenvolvimento de projetos estruturantes. A ministros do PT, que criticaram a ortodoxia econômica e demonstraram temor com a interrupção do ciclo de crescimento, durante jantar na noite de segunda-feira com o presidente, Lula sentenciou que adotará uma agenda de desenvolvimento em 2005. Para Lula, a política de desenvolvimento não é incompatível com a linha adotada pela equipe econômica - que não será alterada em um milímetro segundo o presidente. As marcas de inoperância e continuísmo que a oposição quer atribuir a esse governo, enfatizou Lula, não serão assimiladas. O importante, na visão do presidente, é conciliar de forma harmônica o desenvolvimento com a atual política econômica. E isso será feito, prometeu ele. Esse mesmo discurso desenvolvimentista de Lula foi ouvido pelos senadores do PMDB, na última sexta-feira. O presidente citou exemplos de investimentos públicos em estradas, rodovias, portos e hidrelétricas. Serão prioridades em 2005, por exemplo, a duplicação da BR 101 e a conclusão da Transnordestina. O presidente mostrou empolgação com o nível de investimentos na construção de hidrelétricas, citou a conclusão de obras em pelo menos quatro aeroportos - Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo e Alagoas -, enfatizou que vai concentrar esforços no projeto da revitalização e transposição das águas do Rio São Francisco. "É um volume expressivo de recursos que será investido nesses setores, e isso vai alavancar a economia, permitindo o aumento do volume de exportações", afirmou o relator geral do Orçamento da União para 2005, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Aos políticos do PMDB, partido com o qual o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Carlos Lessa tem ligações históricas, Lula disse que mudança na diretoria do banco não significa o abandono das teses desenvolvimentistas. Nem a saída de Lessa do governo e nem a morte de Celso Furtado sepultam os projetos de desenvolvimento regional e em infra-estrutura que esse governo pretende e vai implementar, sentenciou o presidente Lula. Para alavancar a implementação desses projetos, o presidente pretende convocar reuniões do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e da Câmara de Desenvolvimento. Vai cobrar projetos, propostas, resultados. Na reunião com os ministros do PT, o que mais teria irritado o presidente foi o tom das críticas do ministros. Na avaliação de Lula, muitos ministros petistas acabaram encampando o discurso crítico e destemperado - na avaliação do presidente - da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. A petista atribuiu sua derrota à política econômica do governo, e fez um discurso ácido durante a reunião do diretório nacional do PT também no fim de semana. Lula não gostou. Aprovou menos ainda a insatisfação que brota do primeiro escalão petista.