Título: Vale aproveita preços em alta e acelera projetos
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 24/03/2006, Empresas &, p. B6

Alumina

A Vale do Rio Doce quer aproveitar o bom momento dos preços do alumínio no mercado internacional e acelerar seus projetos de alumina, matéria-prima essencial na fabricação do metal. Hoje, a Vale inaugura o projeto 2 de expansão da sua controlada Alumina do Norte do Brasil (Alunorte). Vai ampliar a produção de 2,5 milhões para 4,4 milhões de toneladas. Com isso, assume a liderança na produção mundial de alumina. Em abril, será iniciada a construção das duas novas linhas do projeto de expansão 3, elevando em mais 1,8 milhão de toneladas sua oferta de alumina. Com isso, o total atingirá 6,2 milhões de toneladas em 2008. Os investimentos somam US$ 1,6 bilhão - US$ 768 milhões da expansão 2. Ricardo Carvalho, presidente da Alunorte, disse ao Valor que a estratégia de ampliação da empresa, situada em Barcarena, no Pará, está focada na previsão de crescimento do mercado dessa matéria-prima estimado para os próximos cinco anos. Atualmente há um equilíbrio precário entre oferta e demanda. Em 2005, a produção de alumínio foi de 32,5 milhões de toneladas. "Há projeções que apontam um crescimento da procura mundial do metal nos próximos cinco anos para 40 milhões de toneladas, ou mais 7,5 milhões a mais até o fim da década. Isso corresponde a uma demanda de 15 milhões de toneladas de alumina, em grande parte pela China. Os projetos de expansão em curso na Alunorte vão suprir parte desses volumes", disse. De olho nesse mercado, a Vale fechou joint-venture com a chinesa Chalco para construção de uma nova refinaria no Pará, o projeto ABC, com capacidade de produção inicial de 1,8 milhão de toneladas. O custo é estimado em US$ 810 milhões. Por enquanto, o projeto ainda não saiu do papel - está em fase de estudos de viabilidade. A produção da Alunorte é destinada à Vale e aos outros sócios minoritários da companhia, entre eles a norueguesa Norsk Hydro e a Cia. Brasileira de Alumínio-CBA do (Votorantim). Cerca de 80% é destinada à exportação. A divisão é feita de acordo com a participação acionária de cada um. Do total da nova capacidade de 4,4 milhões de toneladas ao ano, a Vale fica com bem mais da metade. Da sua parte, enviará 719 mil toneladas para a Albrás, sua controlada de alumínio, e 100 mil para a Valesul, redução localizada em Santa Cruz (RJ). Vai exportar 1,69 milhões de toneladas para clientes na Ásia, Europa e EUA, com os quais firmou contratos de fornecimento de longo prazo. Quase 1,9 milhão de toneladas fica com os sócios, que pagam a alumina por um valor equivalente a um percentual do preço do alumínio cotado na Bolsa de Metais de Londres. Este percentual é guardado em sigilo pelas partes, explicou Carvalho. Segundo informações, hoje fica entre 13% e 16%. Comparado ao preço de US$ 2,485 mil a tonelada do metal, a alumina vale entre US$ 325 a US$ 400 a tonelada, bem acima de seu valor histórico, na faixa de US$ 200. A Vale costuma vender também algum excedente de produção da Alunorte no mercado "spot", atualmente em US$ 600 a US$ 620 a tonelada, ou 25% da cotação da tonelada do alumínio. Em 2005, a empresa colocou 120 mil toneladas no mercado livre. Para 2006, a previsão de Carvalho é de 25 mil. A bauxita (minério usado para fabricar alumina) que abastece a Alunorte vem da Mineração Rio do Norte (MRN), mas a partir de 2007 a fábrica deverá começar a receber bauxita da nova mina de Paragominas (totalmente controlada pela Vale), através de um mineroduto com extensão de 244 quilômetros, que passa por sete municípios paraenses. O início da produção da primeira fase da mina de Paragominas, com 5,4 milhões de toneladas anuais, está previsto o início do próximo ano. A Vale deverá desembolsar US$ 354 milhões nesses dois projetos. Na cadeia de produção de alumínio as prioridades da Vale são a bauxita e a alumina. A Albrás, fábrica de alumínio também controlada pela Vale, mantém sua produção em 450 mil toneladas. Não há projeto de expansão dessa empresa por conta do alto preço da energia elétrica no país. Este ano, serão gastos US$ 102 milhões num projeto de conversão de tecnologia das cubas que produzem lingotes para reduzir o custo da energia elétrica. A Vale, porém, tem planos de construir uma fundição de alumínio em Moçambique, onde o custo da energia é barato.