Título: Taxas de juros dos bancos resistem a cair
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 24/03/2006, Finanças, p. C1

Num ambiente de relaxamento da política monetária, os juros médios cobrados pelos bancos voltaram a subir em fevereiro, chegando a 46,2% ao ano, ante 46,1% no mês anterior. Houve queda nas taxas cobradas de pessoas físicas (de 59,7% para 59,2% ao ano), mas as aplicadas às pessoas jurídicas subiram (de 31,3% para 31,6% ao ano). Nos últimos meses, tem sido regra os bancos se apropriarem da maior parte dos ganhos propiciados pelos cortes na taxa Selic. O custo de captação dos bancos começou a cair a partir de abril, quando estavam a 19,4% ao ano, em virtude da redução dos juros futuros, que anteciparam os cortes na taxa básica. Até fevereiro, o custo médio de captação havia caído 3,4 pontos percentuais (pp), para 16% ao ano, mas a taxa média aos tomadores de crédito caiu apenas 0,9 pp. A diferença foi parar nos spreads bancários, que subiram 2,5 pp. O repasse dos cortes na taxa básica de juro tem sido particularmente mais baixo nas operações de crédito para pessoas jurídicas. O custo de captação caiu 3,4 pp de abril a fevereiro passados, para 16,5% ao ano, mas a taxas cobradas das empresas recuou apenas 1,7 pp, para 31,6%. No caso do crédito às famílias, o custo de captação se reduziu 3,6 pp (para 15,5% ao ano), mas o repasse foi de 2,5 pp (para 59,2%). Não existe uma explicação definitiva para o fato de os bancos repassarem aos clientes apenas parte da redução dos custos de captação. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que, no que se refere às pessoas jurídicas, o que pode estar ocorrendo é uma mudança da base de clientes. "Fizemos sondagens às instituições financeiras e constatamos que o crédito está sendo concedido principalmente para empresas pequenas e médias, de quem são cobradas taxas de juros mais elevadas", disse. A explicação, porém, não se aplica aos juros cobrados de pessoas físicas, que não têm caido na mesma intensidade dos custos de captação. O fenômeno não é novo e chegou-se a especular que a estagnação das taxas se devia à inadimplência ou a uma mudança nas carteiras, com o grosso das concessões se concentrando em linhas com juros maiores, como o cheque especial. Mas, no primeiro trimestre, houve queda de 6% nos volumes emprestados no cheque especial, e a inadimplência ficou estabilizada em 3,6%. (AR)