Título: Possibilidade de a CVRD comprar ações da AngloGold é muito pequena
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 27/03/2006, Brasil, p. A2
São pequenas as chances de a Companhia Vale do Rio Doce comprar uma participação acionária na AngloGold Ashanti, a mineradora de ouro do grupo sul-africano Anglo American. A Anglo American fará, nas próximas semanas, uma oferta de ações no valor de US$ 1 bilhão para reduzir sua participação na AngloGold de 51% para cerca de 41%, abrindo mão do seu controle. Na mesma operação, a AngloGold também fará um aumento de capital de US$ 500 milhões. Na sexta-feira, durante a inauguração da expansão da Alunorte, subsidiária para produção de alumínio, em Bacarrena (Pará), o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que a empresa vai estudar a compra das ações da AngloGold. Mas, segundo fontes próximas à Vale, os negócios de ouro não são considerados estratégicos para a companhia como foram há alguns anos e, por essa razão, a probabilidade de compra das ações da AngloGold é pequena. A Vale deixou o segmento de extração de ouro em 2003, ao vender a sua última mina, a Fazenda Brasileiro, localizada na Bahia, para a mineradora canadense Yamana, por US$ 20 milhões. Hoje, a Vale produz um volume mínimo de ouro em Itabira (MG) e também separa o ouro do cobre na sua mina de cobre de Sossego, no Pará. Para um consultor da área de mineração, o que poderia acrescentar valor à Vale seria a aquisição da própria Anglo American. Hoje, segundo a avaliação desse especialista, os ativos minerais estão muito caros. Só vale adquirir o que trouxer muita sinergia e escala para a Vale. Depois dessa oferta de ações, a Anglo American ficará impedida de vender ações da AngloGold por um período de nove meses. Mas a mineradora já avisou que, passado esse prazo, buscará reduzir ainda mais a sua participação na mineradora de ouro. A expectativa de analistas é que, nos próximos anos, a Anglo American venda todas as ações. Na sexta-feira, a Vale e sua sócia na Alunorte, a norueguesa Norsk Hydro, inauguraram uma ampliação que consumiu US$ 2 bilhões em investimentos e que elevou a capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas para 4,4 milhões de toneladas por ano. Até 2008, outros US$ 2,2 bilhões serão gastos para aumentar a produção para 6,6 milhões de toneladas. Segundo Agnelli, a falta de oferta de energia no Brasil está dificultando a expansão da produção de alumínio no país e, por essa razão, a companhia avalia começar a produzir em países com menor custo de eletricidade, como Moçambique, Angola, Colômbia e Arábia Saudita. A Norsk é a quarta maior produtora de alumínio do mundo. A Vale é a terceira maior produtora mundial de bauxita, que dá origem à alumina. (Com agências internacionais)