Título: Campanhas de prevenção geram atrito com EUA
Autor: Daniel Rittner
Fonte: Valor Econômico, 27/03/2006, Brasil, p. A3

Freqüentemente citado pela mídia americana como tendo o melhor programa de aids do mundo em desenvolvimento, o Ministério da Saúde acumulou um estoque de divergências com o governo americano. A gênese da briga está na concepção que cada país tem sobre a abordagem mais adequada das campanhas de prevenção. Enquanto o programa brasileiro apregoa o uso de camisinha nas relações sexuais, a administração do presidente Bush tenta difundir o hábito da abstinência sexual. No ano passado, o governo brasileiro recusou auxílio de US$ 40 milhões da Usaid, agência da Casa Branca para o desenvolvimento. A Usaid ajuda a financiar projetos de distribuição de preservativos, mas exige condenação explícita da prostituição para todos os programas com os quais colabora. O Ministério da Saúde não topou e preferiu ficar sem a verba. Há duas semanas, os dois governos voltaram a colidir. Em documento enviado ao Congresso americano, a Usaid previu campanhas de prevenção para adolescentes com foco na abstinência e na fidelidade, o que contraria premissas adotadas no Brasil. O diretor do programa nacional de aids, Pedro Chequer, criticou a abordagem. Em nota à imprensa, a embaixada americana em Brasília informou que o documento remetido ao Congresso "abrange todo o espectro de atividades passíveis de desenvolvimento" e não significa que a Usaid implementaria tais atividades "sem discuti-las " com o programa brasileiro de aids. A embaixada disse que tem a intenção de "tratar das nossas diferenças de forma respeitosa e objetiva", referindo-se aos atritos com as autoridades brasileiras. (DR)