Título: Para indústrias, vendas de defensivos deverão cair mais 10% em 2006
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 27/03/2006, Agronegócios, p. B12

Insumos

Se em 2005 as perdas na safra de grãos no Sul devido à estiagem tiraram o sono das indústrias de defensivos agrícolas, este ano é a rentabilidade dos agricultores que preocupa. Cristiano Simon, presidente da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), estima para este ano uma redução nas vendas de pelo menos 10%, para uma receita próxima a R$ 9 bilhões. Em 2005, conforme levantamento preliminar da Andef, o segmento registrou queda de 10% em receita, para R$ 10 bilhões (US$ 4 bilhões). "O agricultor encontra dificuldades para fechar as contas por causa da queda do dólar em relação ao real e o efeito da queda de rentabilidade é sentido por toda a cadeia de insumos", avalia Simon, que também preside a Câmara Setorial de Insumos Agrícolas, ligada ao Ministério da Agricultura. O índice de inadimplência no setor de defensivos, conforme Simon, também deve se manter alto este ano, próximo a R$ 2 bilhões. A estimativa considera os insumos não pagos pelos produtores no fim da safra - as indústrias de agroquímicos tradicionalmente financiam a venda aos agricultores, que pagam após a colheita. Em 2005, a inadimplência situava-se entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Mas boa parte desse montante foi refinanciado com a liberação, pelo governo federal, de R$ 4 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para prorrogação das dívidas da safra 2004/05. "A nossa esperança é que o governo libere recursos para a comercialização desta safra", afirma Simon. Ele observa, no entanto, que o recurso permitirá ao produtor para pagar dívidas de curto prazo, mas não irá capitaliza-lo para o ciclo 2006/07. Em sua avaliação, a recuperação do setor de insumos dependerá da liberação de recursos para custeio da próxima safra. Outro fator que poderá impulsionar as vendas é a aceleração dos registros de produtos genéricos ou similares a defensivos já registrados. "Os ministério da Agricultura, Meio Ambiente e Saúde já fizeram algumas resoluções para acelerar isso, mas o processo de análise ainda é muito lento", diz. Em média, um pedido de registro demora três anos para ser aprovado. (CB)