Título: Câmbio não altera plano de investimento de 1 bi de euros da Fiat para o Brasil
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 28/03/2006, Empresas &, p. B7

O mercado interno reprimido e as dificuldades para exportar a partir do Brasil, por conta do dólar desvalorizado, não assustam a Fiat Spa. A montadora italiana, diz o presidente, Luca Cordero Di Montezemolo, continua apostando todas as fichas no país. "Estamos acostumados a altos e baixos", afirmou o executivo, que esteve à frente da recuperação financeira da Fiat no ano passado. Pedro Motta/valor Luca Cordero Di Montezemolo, presidente da Fiat: "O Brasil é, para nós, uma guarda tecnológica na área de combustíveis, na área de economia energética" A prova da confiança dos italianos no Brasil é o investimento aprovado para os próximos quatro anos, de 1 bilhão de euros, para modernização tecnológica e desenvolvimento de novos produtos na fábrica de Betim. "O Brasil é, para nós, uma guarda tecnológica na área de combustíveis, na área de economia energética." Montezemolo veio ao Brasil participar das comemorações dos 30 anos no Brasil. A solenidade oficial será realizada hoje pela manhã, com os operários brasileiros, no galpão da fábrica. "Investimentos aqui nos últimos 30 anos e só crescemos com isso. Vamos continuar investindo pelos próximos 30." O executivo, que acumula as presidências mundial da Fiat e da Ferrari, diz o país é importante também para a marca de luxo do grupo. "Vendemos 40 Ferraris por ano no Brasil o que é impressionante se você pensar que o carro custa 10 na Itália e 20 aqui, por causa dos impostos." O aniversário da fábrica mineira é apenas um dos compromissos do italiano no Brasil. Presidente da Confederação Italiana das Indústrias (Confindustria), Montezemolo está trazendo ao país quase 250 pequenos e médios empresários interessados em parcerias com empresários brasileiros. O grupo chegou ontem em Belo Horizonte, para reuniões com os mineiros, e estará amanhã com empresários paulistas, em São Paulo. As limitações de crescimento no mercado interno levou a Confindustria a eleger como estratégia prioritária a internacionalização das pequenas e médias empresas. É neste contexto que a missão italiana, a maior já organizada, chega ao país. A visita começou a ser articulada no fim do ano passado, durante visita à Itália do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Montezemolo acredita que existem grandes vantagens em joint ventures entre empresas italianas e brasileiras em setores como agroindústria e mercado de luxo, especialmente moda e decoração. "O Brasil tem uma agricultura importante mas não tem tecnologia nem marcas conhecidas no mundo de produtos alimentícios", disse. Segundo ele, tecnologia, imagem e marcas tradicionais é justamente o que a Itália tem a oferecer. "A Fiat vai completar 30 anos, Pirelli já está aí há 80 anos, existe uma tradição de empresas italianas no Brasil", comentou Montezemolo. "O que temos de fazer é que esta tradição renasça, estimulando as joint ventures." De acordo com o italiano, os problemas internos brasileiros, como juros altos e elevada carga tributária, não chegam a desencorajar novos investimentos no país. "Se houver boas idéias, boas marcas e boa tecnologia, o resto resolve-se", afirmou. O presidente da Fiat Spa. observou que o país goza hoje de uma boa imagem na Europa e que o governo Lula é reconhecido como um presidente que olha muito mais para a indústria e está preocupado com o crescimento econômico. "O importante é que esta política (econômica) possa ter tempo para se fortalecer", declarou. "Importante é que as reformas sejam levadas adiante, tenham continuidade, independentemente de quem for governo." O executivo alertou para o fato de que o país não pode perder de foco o crescimento do mercado interno, que hoje está muito aquém do potencial. É isso que justificará novos investimentos das indústrias, analisou. Pensando justamente no mercado interno para a Fiat Automóveis, Montezemolo informou que não está nos planos produzir aqui o Punto, o último lançamento da marca que é hoje o carro mais vendido na Europa. "Temos uma linha forte, de sucesso, bastante competitiva e que abrange todos os segmentos", explicou. "Não temos de fazer indigestão", completou.