Título: Volvo já importa autopeças da Índia
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 28/03/2006, Empresas &, p. B7
A Volvo, fabricante de caminhões pesados e ônibus instalada em Curitiba (PR), começou a importar peças fundidas da Índia e se prepara, agora, para trazer componentes também da China. Não é apenas a valorização do real que levou a montadora a comprar peças da Ásia, processo em andamento já há um ano, segundo o diretor de compras, Victor Barreto. Ele diz que os preços de algumas peças são mais baixos. As peças trazidas da Índia passam antes pela matriz, na Suécia. Essa escala atende a regulamento da empresa. A Volvo exige que o fornecedor distante tenha um provedor logístico. Como os indianos que vendem para a empresa não contam com essa estrutura na América do Sul, a Suécia se encarrega da conexão para o Brasil. O deslocamento das peças da Índia até a chegada ao país leva 60 dias. A matriz também utiliza componentes asiáticos. Há um mês, os caminhões Volvo fabricados na Europa começaram a receber vidros da China. E a filial brasileira aguarda os trâmites da operação logística para avaliar se valerá a pena importar da China. Segundo Barreto, no caso dos produtos chineses, os preços estão 25% abaixo dos valores na Europa. No Brasil a diferença pode chegar a 10%. Barreto explica que os volumes importados da Ásia pela subsidiária brasileira são baixos. "Mas servem para demonstrar que é possível", destaca. Ele lembra que diversos fornecedores brasileiros exportam hoje para as demais fábricas da Volvo na Europa. " Isso é uma prova de que a escolha de onde vamos comprar está na competitividade de cada fornecedor." O crescente interesse da indústria automobilística pelas importações da Ásia preocupa os fabricantes de peças locais. Há poucos dias, os presidentes da Fiat e da General Motors, Cledorvino Belini e Ray Young, tocaram na questão, que voltou à tona ontem, durante um seminário sobre compras automotivas, organizado pela revista "Autodata" e que reuniu representantes das montadoras e da indústria de autopeças. Os fornecedores temem que a ameaça de compras no exterior sirva às montadoras para pressionar a redução de preços de peças fabricadas no Brasil. Durante um painel no seminário, o diretor de compras da Fiat, Vilmar Fistarol, iniciou a exposição reclamando que as declarações do presidente da empresa haviam sido distorcidas pela imprensa. Mas em seguida ele próprio confirmou que a Fiat está incentivando os fornecedores a buscarem componentes baratos na China.