Título: Primeira proposta será o corte da TJLP
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 29/03/2006, Especial/ Mudança ministerial, p. A5
O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá propor, amanhã, na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), o corte de um ponto percentual na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), a partir de abril. Esse corte seria complementado por outro corte equivalente no trimestre seguinte, para chegar ao fim do ano com uma taxa de 7%. É essa a proposta com que tentará convencer os outros membros do CMN, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a reduzir a taxa que serve de referência para os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mantega tem o apoio do Ministério do Planejamento para a idéia, mas o ministro Paulo Bernardo, favorável a decisões de consenso no CMN, considera necessário convencer Meirelles. Logo após a confirmação no posto de ministro, Mantega telefonou a Meirelles, para mostrar o desejo de discutir cordialmente as divergências entre os dois. Meirelles gostou da conversa, segundo disse a interlocutores. O novo presidente do BNDES, Demian Fiocca, até a semana passada vice-presidente do banco, sob as ordens de Mantega, esquivou-se de comentar sobre o futuro da TJLP. Fez questão, apenas, de reafirmar que as condições das contas públicas estão boas, ao contrário do que afirmam economistas e analistas preocupados com a necessidade de evitar o descontrole nas finanças federais. "Não é verdade que a situação fiscal é preocupante como dizem alguns economistas", afirmou Fiocca. Mantega já havia declarado, na semana passada, que esperava um corte na TJLP, hoje em 9%, na reunião seguinte do CMN, marcada para a quinta-feira da semana passada e adiada para esta. O novo ministro da Fazenda reafirmou que considera mais adequado um índice de 7% para a TJLP, mas evitou comprometer-se com um valor, com o argumento de que teria, ainda, de conversar com os outros membros do CMN. Ainda no BNDES, quando buscava convencer a equipe econômica e enfrentava forte resistência no Ministério da Fazenda, Mantega já defendia um corte de 0,75% na TJLP. O maior opositor a novos cortes na TJLP era o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, para quem uma das dificuldades em baixar os juros está na diferença entre a taxa básica (Selic), mais alta, e a taxa de longo prazo usada nos empréstimos do BNDES , que protegeria alguns setores da elevação dos custos financeiros provocada pelo aperto na política monetária. Levy anunciou ontem sua saída do Ministério da Fazenda O presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), Gabriel Jorge Ferreira, disse ver com naturalidade uma possível queda da TJLP, como defende Mantega. "O mercado não irá perceber isso como mudança", avaliou, enfatizando as consequências positivas da queda na taxa, como o estímulo ao investimento. O presidente do Bradesco, Márcio Cipriani, foi mais reticente. "Acho que o ministro será cauteloso em matéria de juros. Temos que aguardar", comentou.