Título: Oposição mira em Okamotto para atingir Lula
Autor: Raquel Ulhôa
Fonte: Valor Econômico, 29/03/2006, Especial/ Mudança ministerial, p. A6

Em sucessivos discursos da tribuna do Senado, a oposição acirrou ontem as cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva de explicações sobre a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Os senadores deixaram claro que vão insistir na investigação do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, amigo de Lula que pagou contas dele sem explicar a origem do dinheiro. No início da noite, Francenildo estava depondo à Corregedoria do Senado como testemunha. Em reunião aberta, o caseiro repetiu tudo que havia dito antes. "É impossível não cobrar explicações do presidente Lula. É impossível fingir que, de novo, ele não sabe de nada, que teria a idade mental de uma criança de quatro anos de idade, que estaria inimputavelmente ao largo do alcance da lei brasileira", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). "Será que o presidente não sabia de nada disso? É um governo de cegos", afirmou Jefferson Péres (PDT-AM). Para o líder do PFL, José Agripino (RN), o episódio da violação do sigilo do caseiro configura uso criminoso do aparelho de Estado para beneficiar o governo. "Não vamos nos intimidar. Levaremos as investigações da CPI dos Bingos até o fim. E Okamotto que espere, pois o Brasil vai saber quem pagou a conta do presidente e de onde veio o dinheiro", afirmou Agripino. O pefelista levantou suspeitas de que Lula já tinha informações sobre a quebra do sigilo do caseiro, antes da sua divulgação pela revista. Agripino afirmou que, para se "auto-preservar, Lula passa por cima de todo mundo". O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), afirmou que terá um encontro com o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), para esclarecer o que classifica de "equívoco" na redação do requerimento da CPI que marcou acareação entre Okamotto e o ex-petista Paulo Tarso Venceslau. Decisão de Grau baseada no requerimento da CPI -que falava em "depoimento" e não em "acareação"- impediu o confronto entre Okamotto e Venceslau, que o acusou de prática de tráfico de influência em prefeituras petistas. Morais espera que, esclarecido o "equívoco", a acareação possa ocorrer na próxima terça-feira. Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse da tribuna que, mesmo sendo contra um eventual processo de impeachment contra Lula, acha que há "motivação jurídica" para tal.