Título: Dúvida de longo prazo é com segundo mandato
Autor: Adriana Cotias, Angelo Pavini, Daniele Camba e Dan
Fonte: Valor Econômico, 29/03/2006, EU &, p. D1
A mudança no comando da economia brasileira jogou no mercado uma nova incerteza: qual será a política econômica do governo Lula em um segundo mandato. Sem seu principal fiador, há dúvidas se os princípios de responsabilidade fiscal, combate à inflação e câmbio flutuante serão mantidos. Há até os que defendem que o PT faça uma nova Carta ao Povo Brasileiro reafirmando esses compromissos. Para Marcelo Cabral, da Neo Investimentos, mesmo que nada mude agora, fica a expectativa de que, em um novo governo, haveria espaço para alterações de rumo maiores. E isso pode acrescentar uma pitada de nervosismo na campanha eleitoral deste ano, que parecia definida na parte econômica. Cabral lembra que o ministro Antonio Palocci já tinha sido testado diversas vezes e foi aprovado pelo mercado, mantendo a política de austeridade fiscal. "Fica a dúvida se, em um momento de crise externa - que não tivemos até agora no governo Lula -, o novo ministro manteria esses compromissos", diz. Sandra Utsumi, economista-chefe do BES Investimentos, acredita que não há muito espaço para alterar as políticas atuais. "Qualquer mudança com vias a alavancar o crescimento teria um custo político, social e de mercado grande e sem efeitos práticos em 2006", diz. O investidor terá que avaliar o tom do discurso a cada episódio para definir que ativos podem se beneficiar num cenário um pouco mais volátil, diz Sandra. Se, por exemplo, a linha for a favor de uma desvalorização cambial, a combinação de uma eventual redução de liquidez internacional com juros locais sensivelmente menores pode beneficiar ações de exportadoras. E mesmo que as taxas caiam em ritmo mais intenso daqui para frente, as aplicações referenciadas em juros ainda têm muito a ganhar, comenta a economista da BES. (AP e AC)