Título: Acusados reagem à citação em texto
Autor: Thiago Vitale Jayme e Raquel Ulhôa
Fonte: Valor Econômico, 30/03/2006, Política, p. A17
As sugestões de indiciamento de alguns dirigentes de fundos de pensão e de estatais foram objeto das principais contestações das fundações e da Petrobras ao relatório final apresentado ontem na CPI dos Correios. Em nota divulgada ontem à noite a Petrobras considerou "contraditório e inconsistente o relatório preliminar da CPMI dos Correios sobre suposto tráfico de influência na contratação da GDK Engenharia para obra na Plataforma P-34". A estatal frisou ainda que "mesmo sem obter qualquer prova da existência de um elo entre a Land Rover dada por um diretor da GDK ao ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, e o contrato da Petrobras com a GDK, o relatório preliminar da CPMI propõe o indiciamento dos dirigentes da Petrobras responsáveis pelo contrato". O presidente da Funcef, Guilherme Lacerda afirmou que é absurdo o indiciamento do diretor de investimentos da instituição, Demósthenes Marques, por conta de uma perda de R$ 10 milhões no Banco Santos. Segundo Lacerda, Marques continuará no cargo. Em nota divulgada ontem, a Funcef afirma que é "totalmente inaceitável afirmar que houve atuação deliberada de administradores e operadores no período de agosto de 2002 a agosto de 2005, uma vez que se trata de uma única operação aleatória de percentual muito pequeno, mostrando uma diversificação de risco conservadora". O gerente financeiro do Postalis, Adilson Florencio da Costa, também citado no relatório, afirmou que o fundo vai trabalhar para mostrar aos parlamentares que há equívocos na sugestão do seu indiciamento. "Prestamos todos os esclarecimentos pedidos, estamos confortáveis de que nossas decisões de investimento foram tomadas com base em análise de mercado e de que não é possível afirmar que houve qualquer vínculo político", disse ele. O presidente da Centrus, Pedro Alvim, disse que o fundo vai aguardar a discussão e a votação para analisar o resultado, mas afirmou que o fundo está tranqüilo com relação ao relatório. "Estamos muito tranqüilos, uma aplicação que gera perda, como ocorreu no Banco Santos, pode acontecer no mercado. Mas não houve dolo e isso está claro", diz. O diretor de investimentos da Petros, Ricardo Malavazi, disse que o relatório reconhece os avanços dos controles internos do fundo, mas apresenta dados errados com relação a Petros. "Há dados que não estão corretos, não é uma questão de juízo de valor, é questão de precisão de informação", diz ele. A Petros está estudando que ações vai tomar para contestar as informações apresentadas no relatório. O Banco Rural repudiou a citação da direção do banco no relatório final da CPI. O banco informou que não concorda com a conclusão apontada. "Ao longo dos trabalhos da CPI, em nenhum momento o Banco Rural se negou a prestar esclarecimentos", diz a nota encaminhada ao Valor. Outro banco mineiro citado, o BMG não fez qualquer pronunciamento sobre o relatório. A assessoria de imprensa informou que a presidência do banco preferiu não se manifestar a esse respeito.