Título: Indústrias exportadoras de frango já vislumbram um cenário melhor
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 30/03/2006, Agronegócios, p. B8

Em meio à crise no consumo mundial de carne de frango em função do avanço da gripe aviária em países da Europa, África e Ásia, as indústrias exportadoras de frango traçam dois cenários para as exportações brasileiras este ano. A projeção pessimista é de redução de até 10% nos embarques, enquanto a hipótese mais otimista é de um crescimento de 5% sobre os 2,85 milhões de toneladas exportadas o ano passado, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef). Antes do avanço da doença na Europa, a previsão do setor era de um crescimento de 5% a 10% no ano, de acordo com Ricardo Gonçalves, presidente da Abef. "Ainda é difícil saber como irá se configurar a demanda internacional, por isso trabalhamos hoje com esse intervalo longo", afirmou Gonçalves. Ele disse que o setor privado reúne-se novamente com o Ministério da Agricultura no início da próxima semana para fechar o Plano de Contingência e Prevenção da Gripe Aviária, que deve se tornar lei federal já na próxima semana. Gonçalves disse ainda que as indústrias brasileiras devem concluir em três meses a redução de seus plantéis em 25%, para ajustar a oferta de carnes. Os estoques estão estimados entre 200 mil e 300 mil toneladas. E o redirecionamento de volumes antes destinados à exportação para o mercado interno gerou queda de preços. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) divulgado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou queda de 8,45% nos preços do frango em março, comparado a fevereiro. Aguinaldo Marques, diretor de economia e pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou que o gasto médio per capital com carne de frango nas redes caiu 14% desde janeiro, para R$ 12. O setor faturou em 2005 em torno de R$ 105 bilhões e, segundo Marques, 2,5% desse valor veio das vendas de produtos à base de carnes de frango. As redes de supermercados respondem por 85% das vendas de alimentos no Brasil. Em relação às exportações de frango, Gonçalves, da Abef, observou que alguns países da Europa começaram a retomar o consumo, mas isso ainda não se traduziu em novas encomendas para o Brasil. Um estudo feito pelo Rabobank (banco europeu de crédito cooperativo) projeta queda no consumo mundial de frango de 1,5% em 2006 sobre o ano passado, para volume próximo a 80 milhões de toneladas . Nan-Dirk Mulder, especialista em aves do Rabobank, disse que existe hoje excesso de oferta de 3 milhões de toneladas no mercado internacional, sendo 1,5 milhão na Europa. Mulder observou ainda que a queda brusca no consumo de aves provocada pelo medo em relação à gripe aviária derrubou os preços no mercado internacional. "Na Europa, o preço do peito de frango é mais baixo que o oferecido pelo Brasil e alguns países já buscam novos fornecedores", afirmou. Ele observou que a França, devido aos casos da doença, está redirecionando as exportações do Oriente Médio para a Europa, elevando ainda mais a oferta na região.