Título: Telefonia ajuda Siemens a lucrar mais
Autor: Talita Moreira
Fonte: Valor Econômico, 26/11/2004, Empresas, p. B-4

A expansão do mercado de telefonia móvel no Brasil garantiu à Siemens lucro e faturamento recordes no último ano. A empresa alemã teve lucro líquido de R$ 204,4 milhões no país no ano fiscal encerrado em 30 de setembro. Houve alta de 17% em relação ao mesmo período do exercício anterior, embora a margem tenha recuado 0,4 ponto percentual, para 3,4%. A receita líquida cresceu 27% na mesma base de comparação e alcançou R$ 5,9 bilhões. A área de telecomunicações gerou mais da metade das vendas. Energia representou 13% (eram 29% no exercício anterior) e o segmento de automação, outros 14%. O volume de encomendas recebidas pela Siemens cresceu 45% e alcançou R$ 6,2 bilhões. Projetos das operadoras de celular encabeçaram a lista de pedidos. "O ano de 2004 foi muito bom para nós. A Siemens praticamente duplicou o volume de negócios no período (desde 2001)", afirmou ontem o presidente da empresa, Adilson Primo. "A telefonia móvel teve papel preponderante em nosso faturamento." Sem revelar números, Primo disse que a produção de celulares é lucrativa no Brasil, diferentemente do que acontece com a Siemens de forma geral. O grupo lucrou e ? 3,4 bilhões no último ano fiscal, mas a área de telefones móveis perdeu ? 152 milhões. O aquecimento das vendas de celulares no mercado brasileiro foi decisivo para a rentabilidade, disse Aluizio Byrro, vice-presidente. No entanto, ele alertou que as margens estão em queda devido à pesada competição. Isso também explica porque o lucro da empresa cresceu menos que a receita, afirmou o executivo. A área de energia, em contraste, continuou penalizada com as indefinições que persistem no setor elétrico. A única saída foi buscar clientes no exterior. As exportações da Siemens subiram de R$ 248,6 milhões para R$ 620,5 milhões. "As grandes alavancas foram telecomunicações e energia", afirmou Primo. Na telefonia, as exportações foram turbinadas com dois projetos que ampliaram a capacidade instalada da empresa. Num deles, a fábrica de celulares em Manaus foi triplicada. Em outro, a unidade de Curitiba foi transformada num pólo mundial de centrais PABX. No segmento de energia, as exportações aumentaram de R$ 60 milhões para R$ 140 milhões no último exercício fiscal. Foram vendidos principalmente transformadores e subestações para os Estados Unidos, afirmou o diretor responsável pela área de energia, Newton Duarte. Na avaliação de Primo, o setor de telecomunicações está com peso desproporcional no balanço da Siemens e o ideal seria ter um equilíbrio maior com as outras áreas. "Mas não estão ocorrendo investimentos em outros setores", destacou.