Título: Reforma ministerial provoca ausências na reunião do BID
Autor: Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 31/03/2006, Finanças, p. C11

O clima político, com repercussão das denúncias investigadas pelas CPIs no Congresso e muita especulação sobre a reforma ministerial, provocou ausências e constrangimentos ontem, em Belo Horizonte, onde seminários técnicos antecedem a abertura da 47 Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Três ministros com participação previstas em painéis dos seminários acabaram não comparecendo. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, não participou pela manhã do evento que discutiu o papel dos bancos no desenvolvimento da América Latina. E deu a entender que poderá não estar presente na segunda-feira, quando deveria recepcionar os governadores do BID. "O ministro do Planejamento certamente recepcionará", brincou ele, na véspera, insinuando que o titular da pasta poderia ser outro. O ministro esteve na capital mineira na quarta-feira para visitar o Expominas, sede da reunião do BID. Na ocasião, Paulo Bernardo evitou falar dos seus planos políticos, acrescentando que quem sabe deles é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, cancelou sua participação pouco antes da abertura do painel sobre o Desenvolvimento do Turismo nas Américas, à tarde. Informou que havia sido chamado em Brasília pelo presidente Lula. A ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, também não foi ao seminário Amazônia Século 21, que discutiu os desafios para o desenvolvimento regional. Já o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto, que cumpriu a programação compondo a mesa do seminário Revolução Global nas Operações Bancárias, para falar de remessas e microfinanças, não escapou do constrangimento de precisar responder perguntas sobre a convocação para uma acareação na CPI dos Bingos. "Vou usar todas as possibilidades legais as quais puder recorrer para me garantir mostrar a verdade como ela é", avisou o amigo pessoal de Lula, acusado de pagar dívidas do presidente com dinheiro do esquema de caixa 2 operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Okamoto repetiu a versão de que sacou recursos próprios para cobrir despesas que foram lançadas equivocadamente pela contabilidade do PT como empréstimos a Lula. E disse que ainda não discutiu a estratégia de defesa com seus advogados. O governador de Minas, Aécio Neves, questionado sobre o relatório final da CPMI dos Correios, cobrou tratamento semelhante para Lula e o senador tucano Eduardo Azeredo, citado no documento por ter feito uso de caixa 2 em 1998, quando disputava a reeleição no governo de Minas. "Se é para aliviar, como aliviaram a situação do presidente Lula, que aliviassem em relação ao outro (Azeredo)", declarou o governador.