Título: Fabricante brasileira foi sufocada pelos chineses
Autor: José Rodrigues*, Marli Lima, Vanessa Jurgenfeld, S
Fonte: Valor Econômico, 03/04/2006, Empresas &, p. B9
O pátio da Companhia Paulista de Contêineres está hoje lotado, com cerca de 10 mil Teus (sigla em inglês para contêineres de 20 pés). Criada em 1983 e única empresa no país a investir na produção de contêineres, a Paulista chegou a construir 22 mil unidades, mas abandonou o mercado em 1994 pressionada pela concorrência, especialmente a chinesa, e pelo preço do aço. Originalmente criada para produção, a empresa atua hoje no reparo, manutenção e armazenamento. "Toda a Baixada (Santista) está com seus pátios completamente tomados por contêineres vazios; não há mais espaço na região", diz Maurício Dias, da área operacional da empresa. Segundo o executivo, o excesso de contêineres já dificulta as operações da empresa. "O ideal é que tivéssemos no máximo 8 mil Teus", completa. Dias conta que a China vende um contêiner de 20 pés por cerca de US$ 2 mil a US$ 2,2 mil, contra um custo no Brasil que fica em torno de US$ 3,5 mil a US$ 3,7 mil. "Há cerca de dois anos essa diferença estava entre US$ 300 a US$ 500, somando o custo do frete para o Brasil, de US$ 450, conseguíamos competir", garante o executivo. A pá de cal nas pretensões da empresa veio com o aumento do preço do aço nacional, que praticamente dobrou nesse período, conta Dias. Para a produção de um contêiner de 20 pés, com o peso de 2,3 mil quilos, são necessários 1,7 mil quilos de aço, ao custo de US$ 1,7 mil. Há cerca de dois anos esse custo era de US$ 1.000. Além do aço, o custo final é influenciado pela energia elétrica, tinta, madeiras e mão-de-obra. De acordo com o executivo, a China, além de pagar baixos salários, dá subsídios ao aço, praticamente fechando o mercado internacional aos concorrentes de outros países. O mercado de contêineres nos 100 maiores portos do mundo está por volta de 300 milhões de Teus por ano, dos quais o Brasil participa com aproximadamente 5,5 milhões de Teus. (JR)