Título: Terminais do Nordeste mantém ritmo de crescimento
Autor: Patrick Cruz e Paulo Emílio
Fonte: Valor Econômico, 03/04/2006, Empresas &, p. B9

Os portos do Nordeste apresentaram, no primeiro bimestre, um desempenho bem diferente do registrado nas regiões Sul e Sudeste. O movimento do Terminal de Contêineres de Salvador cresceu 36,6% nos primeiros dois meses de 2006 em comparação com o mesmo período do ano passado. Até dezembro, a expectativa é de que o avanço se aproxime de 20%, segundo o diretor executivo da empresa, Demir Lourenço. Entre janeiro e fevereiro, os embarques e desembarques somaram 36,9 mil Teus (sigla em inglês para contêineres de 20 pés), superando os 27 mil Teus dos dois primeiros meses de 2005. "O crescimento deve-se basicamente ao setor petroquímico", diz Lourenço. Caso a projeção para 2006 se confirme, o movimento no terminal de Salvador atingirá 260 mil Teus. No ano passado, o volume foi de 221 mil. A empresa aposta no aumento de embarques puxado pela inauguração das novas fábricas no pólo petroquímico de Camaçari. Nesta semana será inaugurada a operação baiana da fabricante de pneus Continental. A fábrica de pneus da Bridgestone também está em construção e deverá aumentar o movimento no terminal, estima Lourenço. Outro projeto de vulto no pólo de Camaçari que elevará o movimento no terminal é o da Bahia Pulp. A companhia do setor de celulose elevará sua capacidade de 115 mil para 365 mil toneladas do produto por ano. O Tecon Suape (PE), pertencente ao grupo filipino ICTSI, também não vê sinais de crise em 2006. Segundo o presidente do Tecon, Sérgio Kano, a expectativa é de um crescimento de 20% sobre o resultado do exercício anterior, quando foram operados 180 mil Teus. "É claro que nosso desempenho depende da evolução da economia do país, que ultimamente vem patinando entre 2% e 3% ao ano. Mas o crescimento real do comércio exterior nacional vai relativamente bem e é com isso que contamos para crescer ao longo de 2006", diz o executivo. Kano conta que a meta de movimentar 220 mil Teus deverá ser alcançada independente da variação cambial ou de problemas como os verificados nas outras regiões e que tem relação direta com a exportação de carnes. A região não exporta este item. "Identificamos uma ligeira queda de até 10% na movimentação de frutas. Para nós, a fruta é uma espécie de commodity e o dólar caiu cerca de 60% nos últimos dois anos. Mas acreditamos em uma recuperação nos próximos meses, até porque tradicionalmente o primeiro trimestre sempre é um período de baixa movimentação regional", observa. Os dados do Tecon Suape apontam que nos primeiros três meses deste ano a movimentação de contêineres no terminal chegou a 45 mil Teus, 12% acima do registrado no mesmo período de 2005. O preços da operação, segundo Kano, continuam estáveis, dentro da média dos demais terminais do país. Os preços das operações contêineirizadas nos portos nacionais, que chegavam a custar US$ 600 no começo da década, caíram para algo entre US$ 120 e US$ 200. No porto cearense do Pecém, a movimentação de contêineres nos primeiros dois meses deste ano chegou a 16,3 mil Teus, 18% acima do primeiro bimestre de 2005. "Neste ano esperamos uma movimentação total de contêineres entre 25% e 30% acima do ano passado. Vale ressaltar que em 2005 crescemos 25% sobre 2004", diz o diretor comercial do Pecém, Sérgio Kuntz. Em 2005, o terminal movimentou 104 mil Teus. Kuntz diz que nem mesmo o câmbio afastou os exportadores. Segundo ele, os contêineres de exportação totalizaram 9,9 mil Teus, 39% acima do registrado no primeiro bimestre de 2005. Os principais produtos exportados são frutas, calçados e pescados e frutos do mar, que respondem por 65% da movimentação.