Título: BNDES negocia US$ 1,5 bi para a infra-estrutura
Autor: Ricardo Balthazar e Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 03/04/2006, Finanças, p. C8

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começou a negociar ontem com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a abertura de uma linha de crédito de US$ 1,5 bilhão para financiar projetos de infra-estrutura no Brasil, em condições semelhantes às de uma linha cujos recursos o banco repassa para micro e pequenas empresas. A intenção das duas instituições é usar esses recursos para financiar projetos de grande porte a serem escolhidos pelo banco brasileiro, que também contariam com dinheiro de instituições financeiras privadas. Na estimativa de um dirigente do BID, serão necessários pelo menos seis meses para acertar os detalhes. Isso torna improvável o uso dos recursos ainda neste ano. O presidente do BNDES, Demian Fiocca, apontou como um dos projetos que podem vir a ser beneficiados o complexo formado por duas usinas hidrelétricas que a Eletrobrás e a Construtora Norberto Odebrecht desejam construir no rio Madeira, em Rondônia. O custo da obra é estimado em US$ 7 bilhões. A nova linha poderá ter seus recursos liberados em reais, um recurso que o BID planeja adotar com mais freqüência para reduzir os riscos dos clientes. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que o primeiro edital de parceria público-privada (PPP) do governo federal deverá ser apresentado até o fim do mês ao Tribunal de Contas da União. É a concessão de trechos das rodovias BRs 116 e 324, que cortam o interior da Bahia. A lei que regulamenta as PPPs foi aprovada no fim de 2004, mas até hoje o governo federal não conseguiu colocar de pé nenhum projeto por divergências na regulamentação do fundo que vai oferecer garantias aos investidores privados e outras dificuldades. As normas para contabilizar as despesas do governo com as futuras PPPs ainda não estão prontas. Segundo Bernardo, o governo já foi procurado por muitos investidores estrangeiros interessados nas estradas da Bahia. Em Belo Horizonte, Bernardo discutiu o assunto com pelo menos dois grupos, representantes de um fundo de pensão de professores canadenses e executivos do Deutsche Bank.