Título: Governo quer alta de 5% do PIB este ano
Autor: Raquel Landim
Fonte: Valor Econômico, 04/04/2006, Brasil, p. A3

A cúpula do governo acredita que há espaço para acelerar o crescimento deste ano e levar o país a um aumento de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) - acima dos 4% previstos pelo Banco Central. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria comprometido com essa meta de crescimento para 2006, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Leo Pinheiro/Valor "Não é um desafio maior. É um ajuste fino: continuidade da queda das taxas de juros, mais investimento, melhorias de infra-estrutura. Dá para fazer ainda esse ano, nesses próximos nove meses", afirmou Furlan, após um almoço na Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas (ADBV), ontem, em São Paulo. Em um discurso enfático para uma platéia de empresários, Furlan afirmou que "os alicerces da economia brasileira estão muito firmes, mas não é hora de continuar a construir alicerces, a hora é de construir o edifício". Ele ressaltou que estava repetindo uma frase do presidente Lula. Para o ministro, a estabilidade econômica, o crescimento recorde das exportações, a redução da dívida pública e a queda da inflação permitem que o país cresça mais. Questionado se a autonomia do Banco Central pode restringir o crescimento, Furlan respondeu que "cada funcionário do governo tem o seu papel", mas que "o grande maestro e coordenador do time é o presidente Lula". Furlan defendeu que a taxa de juros é "um ponto fora da curva" e que, "com a inflação sob controle, temos a oportunidade de derrubar uma importante barreira ao crescimento nacional, que é a Selic". Para o ministro, "há momentos de jogar na defesa e de jogar no ataque". Ele acredita que "é o momento de o Brasil jogar no ataque". O ministro descartou o risco de a queda das taxas de juros provocar inflação, por conta do aumento da demanda. O excesso de capacidade produtiva de alguns setores e o aumento das importações - foram beneficiadas pelo câmbio e pela redução das alíquotas de importação de alguns produtos - impedem a pressão sobre os preços, avalia o ministro. Em seu discurso e frisando a palavra "meta", o ministro pediu metas de crescimento, investimento e redução da burocracia. Para Furlan, falta ao Brasil metas de longo prazo. "Mesmo nós, que representamos cargos na área política, não estamos acostumamos a trabalhar com metas de longo prazo", reconheceu. O ministro afirmou que o Brasil perdeu espaço em relação aos outros BRICS (Rússia, China e Índia), países em desenvolvimento com forte potencial. Furlan disse que, entre 1996 e 2005, o PIB per capita do Brasil cresceu 0,7%, contra 7,7% na China, 4,4% na Índia, 4,3% na Rússia, 3,7% na Coréia e 2,1% no México. Ao encerrar o discurso, Furlan afirmou que gostaria de fazer algumas propostas para "serem debatidas esse ano pelos postulantes a cargos públicos". Ele citou acelerar a política industrial, modernizar a lei cambial, estimular o empreendedorismo, desonerar a produção, garantir o ressarcimento aos exportadores pela lei Kandir, eliminar os gargalos da infraestrutura, além de reduzir o custo do capital. Furlan comemorou a redução da TJLP na semana passada e afirmou que a taxa ainda pode cair mais ao longo desse ano.