Título: Cúpula do governo se diz traída por ex-ministro
Autor: Juliano Basile
Fonte: Valor Econômico, 04/04/2006, Política, p. A6

O episódio da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Santos Costa continua assombrando o governo, dividido entre o trauma da saída de Antonio Palocci, as novas acusações sobre o suposto envolvimento do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e a blindagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O alto escalão do governo saiu ontem em defesa de Bastos. "Não há a menor possibilidade de o escândalo atingir o ministro Márcio Thomaz Bastos", defendeu o novo coordenador político do governo, ministro Tarso Genro. O discurso era ensaiado, mas o trauma do caso ainda não foi apagado. Um político próximo do presidente reconheceu ontem que a violação do sigilo jamais foi debatida com profundidade no governo. "Até porque quando o assunto vinha à tona, o protagonista (Palocci) dizia que não tinha nada com o caso. Acabamos acreditando nele", lamentou o ministro. "O Palocci teve o máximo que poderia ter tido do governo: todos acreditaram nele. Uma vez que os fatos novos surgiram, não havia alternativa. Contra os fatos, não se briga", ponderou. Na semana passada, um outro integrante do escalão governamental havia repetido a mesma análise. "Meu Deus, o assunto vinha e ele (Palocci) dizia que não tinha nada a ver com isso. O que poderíamos fazer?" "A crise já está esclarecida, todas as providências foram tomadas. Estamos inaugurando a última etapa deste mandato do presidente Lula e eu espero que todos os ministros dêem continuidade aos projetos que estão em andamento", defendeu a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O ministro da Defesa, Waldir Pires, lembrou o conhecimento jurídico do ministro, alegando que "ele sabe o que pode e o que não pode fazer". O secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci, defendeu a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio da violação ilegal do sigilo bancário de Francenildo. O ministro afirmou que o presidente Lula em nenhum momento criou qualquer obstáculo para que os fatos fossem apurados e explicou que não cabe ao presidente da República ser o juiz dos atos ilegais que tenham sido cometidos por integrantes de seu governo. Dulci fez a defesa do presidente durante entrevista para o programa " Fala Brasília " , da TV Record, e representa uma reação ao discurso da oposição de que o presidente cometeu crime de responsabilidade por não ter demitido o ministro Palocci na primeira hora. "O presidente Lula não trabalhou para que a verdade deixasse de ser revelada. Mas o presidente não é juiz. A apuração de irregularidades deve ser feita no âmbito administrativo, policial e do Judiciário", disse Luiz Dulci. (Com agências noticiosas)