Título: Alckmin reage a acusações e diz que adversários procuram "pêlo em ovo"
Autor: Paulo de Tarso Lyra
Fonte: Valor Econômico, 04/04/2006, Política, p. A10
O ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, chamou ontem de "injustiças" as recentes denúncias publicadas na imprensa contra seu governo. Ao chegar a Brasília, para discutir com a cúpula do seu partido os rumos de sua campanha, o tucano defendeu a aliança entre PSDB, PFL e PMDB e fez ataques ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. E mostrou irritação com perguntas sobre as acusações contra seu governo. "Vejo que estão procurando pêlo em ovo. Tenho 33 anos de vida pública... Claro que são injustiças, e totalmente desproporcionais. Mas não tenho medo de cara feia", afirmou. Quanto à possibilidade de o Ministério Público investigar as denúncias, disse que investigação "é sempre positiva e boa". Ele havia sido perguntado sobre a suposta doação, feita por um estilista, de 400 vestidos à sua mulher, Lu Alckmin, e sobre as suspeitas de irregularidades no patrocínio da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), empresa estatal paulista, a uma revista especializada em medicina chinesa, dirigida por um médico que atende Alckmin há três anos. Alckmin voltou a negar que sua mulher tenha recebido 400 vestidos. Contestou a informação, mas não revelou o número exato. E repetiu que a ex-primeira-dama cometeu um "erro" e que os vestidos foram doados a uma entidade filantrópica. Quanto ao patrocínio da CTEEP, considerou "publicidade normal", feita numa revista especializada em saúde, e disse que as empresas do governo têm liberdade para saber onde fazem sua publicidade. Acrescentou que São Paulo é um dos Estados que menos investem em publicidade. O pré-candidato confirmou que está conversando com o PMDB sobre a possibilidade de uma aliança do partido com o PSDB e o PFL em torno de sua candidatura. Ele defendeu a necessidade de alianças, não só para ganhar eleição, mas para governar. Mas reconheceu as dificuldades, principalmente pelo fato de o PMDB ter seu pré-candidato, o ex- governador Anthony Garotinho - com quem ele também conversou. "É lógico que, se você tivesse uma aliança com três grandes partidos, como o PSDB, o PFL e o PMDB, numa concertação, o país seria uma beleza. Você tem um programa a ser cumprido e uma concertação política para executá-lo. Agora, isso não depende só de nós. Se depender de mim, vamos trabalhar com isso. Se não conseguir, se disputa", disse. Alckmin discutirá com a Executiva Nacional do partido a coordenação da campanha. Ele não confirmou a escolha do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) como coordenador e afirmou que haverá um conselho com os vários partidos que vão compor a aliança. Como a campanha só começa em junho, depois da convenção nacional, o ex-governador disse que a prioridade, agora, é a discussão de programa de governo. "Vou me debruçar sobre ela e fazê-la de forma peripatética. Aristóteles ensinava andando. Nós vamos construir um programa percorrendo o país. E dando grande destaque ao desenvolvimento regional."