Título: Grupos brasileiros lideram operações no primeiro trimestre
Autor: Claudia Facchini
Fonte: Valor Econômico, 28/04/2006, Empresas &, p. B2
A valorização do real, o que torna os ativos brasileiros mais caros em moeda forte, não diminuiu o apetite por aquisições. Nos três primeiros meses do ano, não só saíram mais negócios como também foram fechadas grandes operações, como mostra um levantamento feito pela PricewaterhouseCoopers (PwC). No entanto, os grupos brasileiros voltaram a liderar os negócios, respondendo por 55% das 87 transações. O número mostra uma reversão na tendência registrada em 2005, quando os estrangeiros foram às compras. No primeiro trimestre de 2005, 56% dos negócios foram fechados por grupos internacionais. Entre 2003 e 2004, as incertezas políticas afugentaram o capital externo, cuja participação nas transações caiu para menos de 35%. Entre os principais investimentos feitos por grupos brasileiros estão a aquisição pelo Bradesco das operações da American Express, a compra da Light, que pertencia à EDF, pelo Consórcio Rio Minas Energia e venda pela Parmalat da Etti para o grupo Assolan. Segundo Cláudio Ramos, sócio da KPMG, o levantamento feito pela consultoria mostra que neste ano, 13 empresas foram "nacionalizadas": o seu capital pertencia a estrangeiros e foi comprado por empresas brasileiras. No começo de 2005, foram feitas só 5 operações deste tipo. Os consultores, porém, acreditam ser cedo para falar em uma maior timidez por parte dos investidores estrangeiros. Mas a lembrança do que aconteceu no Plano Real, quando R$ 1 valia US$ 1, continua fresca. As empresas que pagaram caro por aquisições não conseguiram depois recuperar o investimento no prazo esperado. "Não há nenhum sinal de pavor entre os nossos clientes. Eles não esperam que haja uma grande desvalorização da moeda lá na frente (como aconteceu no início do plano Real) ", diz Raul Beer, da PwC. Até o momento, não falta trabalho para as firmas de consultoria. "Na PwC, a divisão de fusões e aquisições cresceu 40% nos últimos sete meses", diz Beer. Na KPMG, também há uma forte procura por serviços de "due diligence". De acordo com a PwC, também chama a atenção o tamanho das operações. No primeiro trimestre, foram fechadas nove transações de grande porte, de mais de US$ 100 milhões. Nos três primeiros meses de 2005, só três negócios deste tipo foram concluídos. Juntos, essas nove transações envolveram US$ 2,6 bilhões, bem mais do que os US$ 660 milhões somados nas três grandes aquisições de 2005.