Título: Mais chique, varejo do Rio aumenta vendas
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 04/04/2006, Empresas &, p. B5
O varejo carioca, em especial o setor de shopping centers, investe em sofisticação de produtos e serviços, acirrando a concorrência com o São Conrado Fashion Mall, que até pouco tempo atrás dominava o comércio voltado para o público de mais alto poder aquisitivo, a chamada classe A, do Rio. Nelson Perez/Valor Pressionado por uma queda de 10% no tráfego de pessoas em 2005, o, antes quase absoluto, São Conrado Fashion Mall está fazendo uma "readequação do mix de lojas". Instalado na zona sul do Rio, o Fashion Mall deverá ter, nos próximos meses, uma loja da sofisticada grife paulista Huis Clos. Depois de perder o restaurante Guimas, prepara a abertura de novos, como o Alessandro&Frederico. Nos últimos anos, três shoppings cariocas que atuavam no ramo de decorações transformaram-se em shoppings universais voltados para a classe A, ameaçando o reinado do Fashion Mall. O Rio Design Barra (na Barra da Tijuca, zona oeste) e o Rio Design Leblon (na zona sul) não progrediram vendendo apenas itens de decoração e, em 2004, seu controlador (a construtora Servenco) contratou a empresa de gestão Ancor para dar ampliar e sofisticar o mix dos dois negócios. A transformação dos dois shoppings, um de grande (o da Barra) e outro de pequeno porte (o do Leblon) começou em meados de 2004, quando o Rio Design Barra teve queda de 13% nas vendas. Em 2005, segundo Evandro Ferrer, diretor-superintendente da Ancar, as vendas cresceram 64%. O número de lojas passou de 64 para 103. Para este ano é esperado um crescimento de 70% na receita, que alcançaria R$ 140 milhões. O total de lojas deve alcançar 130. O ramo de decoração foi reduzido a cerca de 15% do número de lojas. No Leblon, com apenas 5 mil metros quadrados de área (são 15 mil na Barra), o número de lojas cresceu de 55 para 66, devendo chegar a 70 neste ano. Mariana Carvalho, diretora de marketing da Ancar, diz que, além de mudar o mix de lojas, foram criados serviços novos, como o cinema com lugares marcados, a aceitação de clientes acompanhados de cães e a criação de um bicicletário para aprofundar a idéia de que o shopping é um prolongamento da rua. Segundo ela, a receita anual gira em torno de R$ 100 milhões. O Shopping da Gávea vem reduzindo a ênfase em decoração desde 2001 e de 2004 para cá vem passando por sucessivas reformas. A primeira delas aumentou o número de vagas de estacionamento de 340 para pouco mais de 900. O número de lojas permanece em 217, mas o perfil delas mudou - foram abertos vários quiosques, passando a impressão de que o shopping ficou maior. Agora em abril será iniciada uma nova obra para reformar a fachada, construir quatro novos cinemas e instalar novos elevadores e escadas rolantes, tudo previsto para estar pronto até agosto. Medo da concorrência? "Aqui não existe a palavra medo. Estamos permanentemente buscando melhorar o shopping", disse o síndico Clark Vieira da Fonseca, há 30 anos no Shopping da Gávea. Como não há uma contabilidade central, Fonseca não fornece números sobre faturamento, mas disse que o movimento do shopping cresceu em 2005, favorecido pela quase triplicação do número de vagas de garagem. A In Mont Shoppings, empresa que administra o Fashion Mall, não se mostra preocupada com o acirramento da concorrência. Marcio Cardoso, diretor administrativo da empresa, minimiza a queda de movimento de 2005, mas a atribui a uma conjugação de fatores que incluem a concorrência, problemas de segurança nas proximidades (o shopping fica perto da favela da Rocinha), à falta de dinamismo da economia nacional e até à crise política. A queda no tráfego, segundo os dados do shopping, foi estancada neste ano e foi compensada em 2005 pelo aumento de 11% no valor médio das compras. O Fashion Mall, que como o Shopping da Gávea trabalha o marketing de ser um local tranqüilo para que gente famosa faça suas compras sem ser perturbada, tem até um programa de fidelização que premia o cliente que mantiver uma média mensal de compras de R$ 2 mil. Em novembro deste ano um novo concorrente chega ao mercado, o Shopping Leblon, o primeiro de grande porte (mais de 200 lojas) a servir os dois bairros mais sofisticados da zona sul do Rio, o próprio Leblon e Ipanema. Com investimento de R$ 300 milhões, tem entre seus acionistas a gigante americana General Growth. Sua chegada será uma prova de fogo para o sofisticado varejo de rua dos dois bairros que vêm buscando novos conceitos. Passam a atuar como pólos de negócios, divididos por ruas ou áreas. Esses pólos, diz o presidente da federação do comércio do Estado, Orlando Diniz, fazem promoções conjuntas e reivindicam do poder público melhorias que facilitem a circulação de consumidores nos locais.