Título: Setor europeu de serviços pede concessões
Autor: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico, 05/04/2006, Brasil, p. A2
O setor de serviços europeu está preocupado com as negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC). Representantes dessas empresas visitaram o Brasil na semana passada para deixar uma mensagem: a Rodada Doha não avançará se não houver concessões em serviços. Magdalena Gutierrez/Valor "A OMC não é um organismo de negociação da agricultura. É importante que o Brasil entenda isso", afirmou ao Valor Pascal Kerneis, diretor-executivo do Fórum Europeu de Serviços, que reúne grandes empresas e associações de classe do setor. "Quero deixar claro que, se não houver movimento em serviços, não haverá Rodada", disse o executivo. "Um acordo em agricultura e indústria não será aprovado pelos Estados membros da União Européia ou pelo Congresso dos Estados Unidos." Em uma peregrinação por Brasília, Kerneis se encontrou com os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Roberto Rodrigues (Agricultura), Hélio Costa (Comunicações), Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), com os chefes de gabinete dos ministros Celso Amorim, das Relações Exteriores, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, além do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Kerneis ficou "muito desapontado" com as conversas, pois o governo brasileiro "não entendeu a importância" da negociação de serviços. "O Brasil não está levando as negociações de serviços a sério", afirmou. Ele disse que veio ao Brasil para assegurar que a voz do setor de serviços fosse ouvida fora do Itamaraty. De acordo com o executivo, o setor de serviços representa hoje 75% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Européia, 80% dos EUA, e 65% do Brasil. Ele afirma que UE, EUA e Índia querem movimentos nessa área, mas que alguns países chave da negociação, como o Brasil, ainda não fizeram ofertas significativas. Kerneis disse que a proposta atual do Brasil em serviços financeiros e telecomunicações é pior do que a oferta apresentada em 1997, na Rodada Uruguai. "E o preço a ser pago pelo Brasil não é alto, porque esses mercados já são abertos". Ele destacou que a União Européia quer concessões do país na área de serviços marítimos. Fazem parte do Fórum Europeu de Serviços: Barclays, Goldman Sachs, Portugal Telecom, Telefónica, Ernest Young, KPMG, PricewaterhouseCoopers, entre outras empresas. Kerneis participou, na sexta-feira, do Diálogo Serviços, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.