Título: Infraero dá prazo até amanhã para que companhia volte a pagar tarifas
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Fonte: Valor Econômico, 05/04/2006, Últimas notícias/Empresas, p. A6
O clima entre a Infraero e a Varig se deteriorou profundamente ontem. Pelo segundo dia seguido, a empresa aérea ignorou as cobranças da estatal e não pagou as tarifas exigidas para operar seus vôos, conforme acordo informal fechado na última sexta-feira. A diretoria da Infraero já decidiu: se a Varig não retomar os pagamentos até quinta-feira, os aviões da empresa só decolam após o pagamento das taxas de pouso, permanência e navegação aérea em cada aeroporto do país. A companhia acumula uma dívida de R$ 492 milhões com a estatal, que administra as instalações aeroportuárias. Resguardada por uma liminar concedida pela Justiça do Rio, a Varig ficou desobrigada de pagar tarifas entre setembro do ano passado e 21 de março. Com a queda da liminar, a Infraero passou a exigir o pagamento diário das tarifas. Na semana passada, a Varig já havia ignorado as cobranças, mas se comprometeu na sexta-feira a retomar os depósitos diários a partir de segunda-feira. Como isso não ocorreu, a tensão aumentou. "O meu limite é sexta-feira", avisou ontem o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, referindo-se a atitude de cobrar as tarifas antes das decolagens da Varig em cada aeroporto. Por dia, a empresa deve recolher R$ 900 mil à estatal. Pereira disse que a Infraero tem sido paciente demais, mas não pode contrariar a lei. Na segunda-feira, a Varig prometeu voltar a pagar a estatal, mas isso não aconteceu. "Estamos à beira da ilegalidade", afirmou o brigadeiro. "O Tribunal de Contas da União está com a corda no nosso pescoço e a situação aqui é muito tensa." Pereira afirmou que levará a situação ao novo ministro da Defesa, Waldir Pires, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ciente do impacto que a cobrança poderá causar, ele disse que buscará uma autorização do próprio presidente. Esse tipo de cobrança, nos aeroportos e somente em dinheiro, é uma atitude adotada pela estatal somente em casos extremos. Foi o que aconteceu, por exemplo, nos dias que precederam a paralisação das atividades da Vasp, em 2004. Na assembléia de credores que ocorrerá hoje, no Rio, a Infraero deverá manter uma postura crítica ao plano de venda a ser apresentado aos credores. Executivos da estatal temem que a divisão da Varig em uma empresa "boa" e outra "ruim" signifique, na prática, o calote da dívida. Os credores estatais acreditam que a Varig tem postergado medidas mais duras de recuperação das suas finanças. (DR)