Título: Sérgio Guerra coordenará campanha de Alckmin
Autor: Raquel Ulhôa
Fonte: Valor Econômico, 05/04/2006, Política, p. A7

Depois de sua primeira reunião com a Comissão Executiva Nacional do PSDB, em Brasília, o pré-candidato do partido à Presidência da República, Geraldo Alckmin, confirmou a escolha do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) como coordenador nacional de sua campanha. O presidenciável anunciou um cronograma de viagens, que começa hoje por Minas Gerais. Amanhã, visitará Goiás e, na sexta-feira, o Piauí. Em entrevista, Alckmin disse esperar duros ataques do PT durante a campanha. "Adversário não joga flores. Ainda mais o PT, que está no fundo do poço e quer puxar todo mundo lá pra baixo", disse. O tucano afirmou estar pronto para o contraditório. "Sou expert em PT." A Executiva decidiu pela criação de um canal de comunicação direto da assessoria de Alckmin com as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado, a fim de municiar os aliados de informações sobre quaisquer denúncias contra ele, que para todas sejam rapidamente respondidas. Antes da reunião com a Executiva, Alckmin almoçou na sede do PSDB com o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Os dois vão integrar um conselho político da campanha, que terá a coordenação-executiva de Guerra. O fato de ser nordestino contou a favor de sua escolha, já que é a região onde Alckmin tem o pior desempenho nas pesquisas de intenção de votos. Na conversa, analisaram a situação eleitoral dos dois partidos em cada um dos 27 Estados. A conclusão é que a aliança entre PFL e PSDB não deve acontecer em Sergipe, Alagoas e Goiás. Também está difícil superar as dificuldades da coligação na Bahia, no Maranhão e no Ceará. Segundo Bornhausen, a aliança "está muito crua" no Rio de Janeiro. Citou o impasse no Distrito Federal, onde a governadora tucana Maria Abadia, que substituiu o pemedebista Joaquim Roriz, quer disputar a reeleição, enquanto o PFL tem dois pré-candidatos, o senador Paulo Octávio e o deputado José Roberto Arruda. Ontem mesmo Alckmin conversou com Abadia e com Paulo Octávio, mas não houve avanços. Ele fez uma visita ao ex-governador Roriz, que declarou apoio à sua candidatura presidencial. O ex-governador de Sergipe Albano Franco (PSDB), que reluta em fazer aliança com o pefelista João Alves, também conversou com Alckmin, Tasso e Bornhausen. Ao sair, acenou com a possibilidade de compor com o PFL, caso ocupe a vaga de senador na chapa. Nas conversas entre pefelistas e tucanos, ficou claro o interesse em incorporar o PMDB na aliança nacional, mas, diante da quase impossibilidade de vencer a divisão interna do PMDB, os dois partidos tentam formar o maior número possível de alianças pontuais com os pemedebistas nos Estados. Mais uma vez, Bornhausen sinalizou que aceitaria ceder ao PMDB a vice de Alckmin, argumentando que a prioridade do PFL é derrotar o governo "corrupto e incompetente" de Lula. Tasso defendeu a aliança com o PMDB, mas disse que a vaga de vice é do PFL. "Todavia, numa campanha, somar é sempre positivo. E o senador Bornhausen tem sempre colocado que não será empecilho a nenhuma soma a essa aliança", afirmou ele. Sérgio Guerra descartou ontem a possibilidade de o ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), de Pernambuco, ser candidato a vice-presidente na chapa de Alckmin, como chegou a ser cogitado. "Jarbas não deseja disputar a Vice", afirmou. Guerra não se mostrou preocupado com o fato de Alckmin começar a campanha sob acusações de irregularidades envolvendo seu governo e sua mulher, Maria Lúcia Alckmin. "Essas denúncias estão contaminadas de suspeição. É uma óbvia tentativa de puxar nossa campanha para o ambiente que predomina a campanha do PT", afirmou. Para o coordenador da campanha tucana, a construção de uma eventual candidatura do PMDB a vice de Alckmin "não é fácil", principalmente por causa da situação interna do PMDB. O partido divide-se entre os que apóiam a pré-candidatura de Anthony Garotinho, os que apóiam Lula, os que preferem Alckmin e aqueles que não querem apoiar nenhum candidato ao Palácio do Planalto. Hoje a questão será discutida em Executiva Nacional do PMDB, em Brasília. O primeiro trabalho de Sérgio Guerra será a formação da equipe e a estruturação da base da campanha em Brasília. Com relação ao financiamento da campanha, a determinação é "trabalhar em completa transparência e dentro da lei". Depois da reunião da Executiva, Alckmin foi informado do documento divulgado pelo PT, que classifica a sua escolha como conservadora e reacionária. A indicação de Alckmin foi comparada à vitória do "não", no plebiscito sobre o desarmamento. "Eles já estão antecipando que vão perder? Já estão admitindo a derrota por antecipação. Me divirto com essa historia de conservador", afirmou Alckmin, relembrando sua trajetória política iniciada pelo MDB em 1972. "O PT, que tem uma política monetária de fazer corar qualquer ortodoxo do monetarismo, tem o maior programa de concentração de renda jamais visto, R$ 156 bilhões de juros para rentista, não tem autoridade para colocar essas coisas. Vamos mostrar que nossa agenda será do crescimento. Não quero ser presidente para ser mais um, quero chacoalhar as estruturas", disse.