Título: Senado adia decisão sobre convocação de Bastos
Autor: Paulo de Tarso Lyra
Fonte: Valor Econômico, 05/04/2006, Política, p. A10
Novo alvo da oposição, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, assegurou ao coordenador político do governo, Tarso Genro, que não teve qualquer envolvimento na quebra do sigilo do caseiro Francenildo Santos Costa. Thomaz Bastos e Tarso Genro conversaram por telefone na segunda-feira e o petista garantiu que seu colega de Esplanada está tranqüilo. "Ele expôs toda a ação da Polícia Federal no episódio, esclarecendo o empenho em apurar o caso. O ministro Márcio Thomaz tem a total confiança, minha e do governo", defendeu Tarso Genro, depois de participar de reunião plenária no Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O presidente do Senado, Renan Calheiros, não decidiu o que fazer com o requerimento de convocação do ministro da Justiça para falar no Senado sobre o caso da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro. É possível que ainda nesta semana seja votado, mas isso dependerá ainda de um acordo de líderes. Tarso reiterou que considera desnecessária a convocação de Thomaz Bastos para prestar esclarecimentos na CPI dos Bingos. "Evidentemente, ninguém está acima da lei, mas não há nenhuma fundamentação para isso. Não há fato, nem sequer indício que envolva o ministro da Justiça neste episódio. O ministro deu ordens à Polícia Federal que investigue o caso, de forma severa", defendeu. "O Estado, quando faz uma investigação desta natureza, não distingue raça, classe social nem coloração partidária", prosseguiu. Tarso Genro deve ir ainda esta semana ao Senado, para uma visita de cortesia à oposição. O encontro será intermediado pelo líder do governo na Casa, Aloizio Mercadante (PT-SP). Durante sua palestra na OAB, Tarso Genro fez uma referência indireta aos oposicionistas, ao afirmar que "em momentos de crise é natural que a imaginação de alguns se exacerbe". E considerou natural a disputa entre aliados e oposicionistas em torno do relatório da CPI dos Correios. Mas ressaltou que é importante a aprovação de um relatório final na Comissão de Inquérito. "Se algum partido discordar, pode apresentar um substitutivo. Mas o governo não tem nada a ver com isso. A única coisa que posso afirmar é que o governo não teve qualquer envolvimento com o que se denominou mensalão", frisou o ministro. Em sua primeira visita oficial depois da posse, Tarso Genro escolheu uma das instituições que mais tem criticado o governo nos últimos meses - a Ordem dos Advogados do Brasil. "Não temos dúvidas de que o clima político atual gera instabilidade. Nas crises, as pessoas expõem o que tem de melhor e o que tem de pior". O ministro ouviu críticas do atual presidente da Ordem, Roberto Busato, que disse que "a OAB e o PT se afastaram porque as bandeiras de ambos não se cruzam mais como se cruzavam no passado". O ex-presidente da Ordem, Reginaldo de Castro, comentou que "todos os governos, após tomarem posse, passam a nos ver como inimigos". Lembrou que Lula sempre visitava a OAB durante a sua caminhada até tornar-se presidente da República. "É bom que ele se lembre disso", cobrou. O ex-presidente também disse que a voz crítica da OAB não se calará e só tem força diante da fragilidade das demais instituições. "Os partidos só têm interesses eleitorais, o Congresso Nacional legisla em causa própria e os governos acham que somos inimigos porque não aplaudimos suas ações. Aplaudir o quê?" questionou Reginaldo de Castro.