Título: Sem dinheiro, Animec corta custos e busca financiadores
Autor: Angelo Pavini
Fonte: Valor Econômico, 05/04/2006, EU &, p. D2

Com o acordo com Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) empacado e poucos sócios contribuintes, a Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec) enfrenta uma de suas piores crises financeiras em seus seis anos de existência. A associação reduziu em 30% seu orçamento anual e está buscando formas alternativas de obter receitas, seja cobrando anuidades de associados que nunca contribuíram, seja organizando eventos e seminários. No mês passado, os 400 associados da Animec receberam um boleto pedindo a contribuição de R$ 1,8 mil sob pena de desligamento da entidade. Segundo Gregório Mancebo Rodrigues, superintendente da associação, antes as pessoas físicas não precisavam contribuir, mas agora toda ajuda será bem-vinda. Ele explica que muitas das 30 gestoras de recursos, que antes mantinham a entidade, pararam de contribuir diante da negociação com a Anbid. Pelo acordo em discussão, as gestoras de recursos associadas à Anbid se associariam também à Animec, passando a contribuir com a entidade. "Como havia a expectativa do acordo, muitas assets pararam de contribuir esperando para ver como ficaria a associação", diz Rodrigues. O acordo estava praticamente fechado no fim do ano passado, conforme informaram tanto o presidente da Anbid, Alfredo Setubal, quanto seu colega da Animec, Waldir Luiz Corrêa. O presidente da Animec chegou inclusive a estimar que uma assembléia para mudar os estatutos seria feita no mais tardar no início deste ano para sacramentar o acordo. "Houve um pouco de precipitação", reconhece Rodrigues, que também esperava que o assunto fosse resolvido no fim do ano passado. Ele não dá detalhes sobre o que fez o acordo emperrar, mas diz que a divergência está em torno da independência da nova Animec. "O que se está discutindo é se as propostas de acordo não poderiam atingir a independência da Animec", afirma. Rodrigues evita falar, mas um dos receios é como seria a atuação da Animec, sob comando das gestoras de recursos de grandes instituições em casos que envolvessem seus próprios controladores. Já no lado da Anbid - que evita falar no assunto e informa apenas que as negociações esfriaram, mas não acabaram - a visão é diferente. Segundo um gestor de recursos, a proposta da Animec era que os participantes da Anbid entrassem com o dinheiro, mas a entidade continuaria sob o comando do fundador e presidente nos últimos seis anos, Waldir Luiz Corrêa, ou de seu grupo. "Nessas condições, não há interesse, queremos poder participar das decisões da entidade". A proposta de reforçar a Animec veio dos gestores independentes de recursos, que ingressaram na Anbid no ano passado, desistindo de criar uma associação própria. Com parcelas significativas no capital de muitas companhias em seus fundos, esses gestores enfrentam problemas freqüentes com controladores e faria, portanto, todo sentido ter uma entidade forte para representar os interesses desses minoritários. Para as assets de bancos também seria uma estratégia interessante, pois, com o assunto sendo tratado pela Animec, evitaria que o banco se indispusesse com uma grande empresa, muitas vezes cliente da instituição, por conta de uma aplicação feita por um fundo. Enquanto as negociações não avançam, a Animec se esforça para manter os serviços. Mas já há um retrocesso no projeto de fortalecer a estrutura da entidade: o gerente administrativo que cuidava do dia-a-dia da associação, foi dispensado e a função acumulada por Rodrigues junto com a superintendência. E o projeto de contratar um advogado para se dedicar exclusivamente aos processos de abuso dos controladores também foi postergado. As dificuldades financeiras da Animec deram início a um boato na semana passada de que a entidade estaria fechando. O fato do presidente Waldir Corrêa ter se licenciado para cuidar de um projeto de consultoria ajudou a reforçar esses comentários. Mas Rodrigues diz que o fim da Animec é uma possibilidade remota. "O que pode acontecer, se não conseguirmos outra forma de financiamento, é acelerarmos o acordo com a Anbid, talvez até o meio do ano", diz o superintendente.