Título: Preço dos alimentos cai e segura inflação em SP
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 06/04/2006, Brasil, p. A3

Com uma queda significativa nos preços de alimentos, de 0,46%, a inflação ao consumidor na cidade de São Paulo fechou março com pequena elevação de 0,14%, abaixo das expectativas da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que realiza a coleta de preços, e previa alta de 0,20%. Nos últimos 12 meses, o IPC registra variação de 3,4%, o menor resultado desde agosto de 1999, época em que o Brasil passou a utilizar o regime de metas de inflação. No primeiro trimestre do ano, a inflação está em 0,62%, bem abaixo do mesmo período de 2005, quando chegou a 1,7%, afetada pelo reajuste nas tarifas de ônibus. Mesmo com esse cenário positivo, a Fipe não altera a projeção de IPC de 4,5% no final do ano, uma vez que o segundo semestre deste ano, quando se concentram os aumento de energia e telefonia, por exemplo, trará uma inflação maior. Isso porque os índices que reajustam esse contratos já serão maiores do que em 2005. O maior impacto para o aumento do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) veio dos preços dos combustíveis. A gasolina subiu 3,75% e contribuiu com 0,10 ponto percentual. Já o álcool ficou 13,61% mais caro e elevou a inflação em 0,07 ponto. Se não fossem os aumentos desses dois produtos, o IPC de março ficaria negativo em 0,03%, mesma taxa de fevereiro. Paulo Picchetti, coordenador da pesquisa de preços da entidade, esperava que até o fim de março, os combustíveis começassem a subir menos, uma vez que o preço do álcool já caiu nas usinas. "Mas não foi isso o que aconteceu", afirma. Para o economista da Rosenberg & Associados, Otavio Aidar, a partir da próxima semana os combustíveis devem dar "algum refresco" para a inflação. Além disso, como os núcleos seguem comportados em patamares baixos, Aidar acredita que o cenário é benigno e "os preços ao consumidor neste ano não possuem um forte potencial de alta, já que mesmo com as fortes elevações dos combustíveis, a inflação permanece baixa". As projeções para abril, no entanto, estão um pouco complicadas. Picchetti espera que o IPC fique em 0,10%. Ele já contabiliza o reajuste nos remédios, que terá impacto de 0,10 ponto percentual no índice. Para ele, os combustíveis, por sua vez, tendem a reduzir o movimento de alta, enquanto os alimentos permanecem como uma incógnita.