Título: Inadimplência de 15,5% eleva os riscos no Rio
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 30/11/2004, Brasil, p. A-2
A carga tributária elevada, o roubo de energia e a enorme inadimplência verificada no Rio de Janeiro, que é o dobro da média nacional, foram alguns dos problemas apontados pelas distribuidoras fluminenses em seminário que discutia os impactos do novo modelo sobre as empresas do setor, promovido pela Associação Comercial. O diretor de relações institucionais e novos negócios da Ampla (do grupo Endesa), apresentou um estudo mostrando que se a inadimplência no Brasil já é muito alta, de 7,4%, no Rio, ela alcança o dobro, chegando a 15,5%. O diretor de relações institucionais e novos negócios da Ampla, Mario de Carvalho Rocha, ressaltou que a carga tributária "sufoca" o setor. Segundo dados da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), a receita total das distribuidoras brasileiras no segundo trimestre de 2004 somou R$ 33 bilhões. Desse total, 5,1% (R$ 1,7 bilhão) são direcionados para o pagamento do PIS/Cofins, 19,9% para o ICMS (R$ 6,6 bilhões) e 8,9% (R$ 2,9 bilhões) para encargos setoriais. "Em caso de inadimplência, todos os encargos e riscos ficam na distribuição, o que está sufocando as empresas e não foi bem tratado no novo modelo", criticou Rocha. O executivo da Ampla apresentou uma quadro comparativo com dados da Agência Internacional de Energia mostrando que a carga tributária brasileira sobre a tarifa de energia chega a 27%, contra 22% da Espanha, 15% do México, 13% da Irlanda e Nova Zelândia, 7% dos Estados Unidos e 5% do Reino Unido e Portugal. Já o superintendente de grandes clientes da Light, Marco Antonio Donatelli, ressaltou que no caso da sua empresa, é alto o nível de inadimplência do setor público. Ele citou ainda, como um dos "pontos de interrogação" do novo modelo elétrico o fato de as distribuidoras poderem suspender o fornecimento aos inadimplentes, mesmo órgãos públicos, tornando-os livres de forma compulsória. Já o presidente da térmica Norte Fluminense, controlada pela EDF, António Rocha, defendeu uma tarifa de transmissão diferenciada para as empresas que geram energia próximo aos centros de consumo. Outra reclamação é quanto ao cálculo de perda de energia, que na média nacional é de aproximadamente 3%. "Como o Rio fica na ponta do sistema, ele economiza energia quando gera aqui. Entretanto, mesmo próximo ao centro de carga, é descontada uma perda que não existe", explicou Rocha. (CS)