Título: Dividida, oposição aos Sarney no MA procura nome de consenso para 2010
Autor: Agostine , Cristiane
Fonte: Valor Econômico, 27/07/2009, Política, p. A5
A oposição ao governo de Roseana Sarney (PMDB) no Maranhão aposta na fragilização da família Sarney para voltar ao comando do Estado, mas ainda enfrenta dificuldades em se articular para a disputa de 2010.
PDT, PCdoB , PSDB, PT e PSB contam com o desgaste político de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado e na avalanche de denúncias envolvendo a família dele para derrotar o grupo no Maranhão. "O problema é construir a unidade", analisou o presidente do PT do Maranhão, deputado Domingos Dutra. "Está todo mundo sem saber o que fazer, aonde ir".
O petista é pré-candidato ao Estado, mas considera que o nome mais forte para a disputa contra a família Sarney é o de Jackson Lago (PDT), cassado neste ano pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder na eleição de 2006. Naquele ano, Lago passou para o segundo turno em desvantagem e venceu Roseana Sarney quando obteve apoio do PSB e PSDB. A "Frente da Libertação" derrotou a hegemonia de 40 anos dos Sarney no Maranhão.
Lago pretende candidatar-se novamente e falará que foi injustiçado. O ex-governador estuda lançar-se em setembro e defenderá que é possível derrotar a oligarquia no Maranhão. O problema está na reedição da "Frente da Libertação", já que outros opositores aos Sarney também querem candidatar-se. A pulverização de candidaturas pode ajudar o grupo de Roseana - que já sai em vantagem por estar com a máquina administrativa.
Flávio Dino, deputado federal pelo PCdoB, foi lançado pelo partido no começo do mês, apesar de não assumir sua pré-candidatura. Quando concorreu à Prefeitura de São Luís em 2008, vinculou-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sua candidatura é bem vista pelo governo federal porque serviria de palanque para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) na sucessão presidencial. Mas dirigentes que compuseram a Frente resistem em apoiá-lo, por suspeitarem da proximidade dele à oligarquia e que ele recebeu apoio informal dos Sarney em 2008.
Além do PT e PCdoB, o PSB deve lançar um nome ligado ao ex-governador José Reinaldo Tavares. Cogita-se Edson Vidigal, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça e até o próprio Tavares.
A avaliação de opositores aos Sarney é que se em 2006 foi difícil a união no primeiro turno, em 2010 será ainda mais complicado, apesar da luta comum contra a oligarquia. Sobraram mágoas em relação à gestão de Lago e das disputas municipais em 2008.
O pedetista nomeou esposa, cunhada, irmão, primo e outros familiares para secretarias estaduais e sobre seu governo recaíram denúncias de desvios de recursos. A gestão foi suspeita de acobertar o desaparecimento de R$ 1 bilhão em transferências nas prefeituras, investigadas na Operação Rapina da Polícia Federal.
Em 2008, Dino disputou contra João Castelo (PSDB), apoiado por Lago, e sobraram críticas dos dois lados. "Mas nossas diferenças não são tão profundas", minimizou Jackson Lago.
Sem o apoio consensual entre os opositores da família Sarney no Estado, Lago também enfrenta dificuldade com o governo federal. Diferente de Dino e Roseana, a relação com o presidente Lula não é boa. Em seu mandato não recebeu uma única visita do presidente, nem mesmo quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi ao Maranhão. Lago, entretanto, aposta no aumento do número de aliados, conquistados em 2008, e nos apoiadores dos dois maiores colégios eleitorais do Estado: João Castelo, em São Luís, e Sebastião Madeira (PSDB), em Imperatriz.
O candidato da família Sarney ainda não está definido. Roseana decidirá no próximo ano se disputa a reeleição. Segundo seus aliados, se o desgaste político e administrativo for grande, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) deverá ser o candidato da família. O grupo conta com o apoio do presidente Lula e poderá dar o principal palanque à Dilma Rousseff no Estado. No dia 06 de agosto, o presidente Lula visita o Maranhão.