Título: Destino de Ciro será selado entre Lula e Eduardo Campos
Autor: Junqueira , Caio
Fonte: Valor Econômico, 29/07/2009, Política, p. B14
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, para uma conversa, no dia 14, sobre a candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo. Até agora, Lula e Campos falaram apenas pelo telefone, rapidamente, sobre o projeto, que interessa tanto ao presidente quanto ao partido. Segundo Campos, o deputado ainda avalia a melhor decisão.
"Não há nada decidido. O nome de Ciro foi colocado em uma pesquisa e ele teve um bom resultado", disse Campos, que esteve ontem em Brasília para participar de seminário sobre gestão pública promovido pelo. Movimento Brasil Competitivo. "O pessoal foi se animando. As bases dos dois partidos estão conversando em São Paulo. Mas Ciro tem dito que prefere a disputa nacional".
A decisão de Ciro e do PSB deve ser formalizada em setembro. Campos pediu para que todas as seções estaduais enviem, até o final de agosto, um balanço sobre a situação da sigla em cada Estado, se terá ou não candidatos majoritários, quais as alianças que pretende fazer, com quais partidos. De posse dos dados, o PSB anunciará a posição do partido em cada Estado, inclusive São Paulo
De acordo com Campos, Ciro "tem preparo para se candidatar a qualquer cargo do país". O governador assegurou ainda que Ciro "contará com a solidariedade do partido caso decida pela candidatura em São Paulo". Campos tem dito, em público, que prefere a candidatura presidencial de Ciro, mas na prática, ele deve se entender com Lula.
O governador disse que não passara de "boato" notícia que circulou semana passada, em Brasília, dando conta de que Ciro e Lula já haviam conversado e decidido a candidatura do deputado ao governo paulista.
O PSB também ainda não conversou formalmente com o PT, onde há resistências a que o partido apoie outra candidatura que não seja própria. Foi assim, disputando cargos majoritários que o PT cresceu até conquistar a Presidência, argumentam, entre outras coisas, os que se opõem ao projeto Ciro-SP. Mas uma boa parte da tendência Construindo um Novo Brasil, majoritária no PT, já dá sinais de que pode aceitar Ciro.
O interesse de Lula e de parte do PT e do PSB é construir um palanque forte para Dilma em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, onde os petistas tem sido sucessivamente vencidos pelos tucanos. Muito embora o PSB cite pesquisa na qual Ciro teria obtido 20% em São Paulo, os petistas que se opõem à candidatura avaliam que Ciro será seu próprio adversário - ele não só tem um discurso antipaulista, como também o temperamento difícil que já lhe causou problemas em outras eleições.
Já quem aceita compor com o PSB, PCdoB e - possivelmente - até o PP argumenta que o PT não tem um candidato natural, um nome forte para tentar acabar com o predomínio tucano em São Paulo. A ex-prefeita Marta Suplicy perdeu a reeleição para José Serra, em 2004 e está desgastada politicamente. O nome preferido de Lula, o deputado Antônio Palocci, ainda espera a decisão se Supremo Tribunal Federal aceita ou não denúncia do Ministério Público pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.
Outra vantagem para Lula com Ciro em São Paulo é que o deputado sairia da disputa presidencial, transformando 2010 no que o PT efetivamente quer: um plebiscito entre seu governo e o de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.