Título: Sarney retribui apoio e garante aliança com PT à sucessão de Lula
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 03/09/2009, Política, p. A8

Duas semanas depois de escapar de ser processado no Conselho de Ética graças ao apoio do PT, o senador José Sarney (PMDB-AP) retribuiu a gentileza e afirmou que fará de tudo para consolidar a aliança do PMDB em torno da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência República, em 2010.

Em entrevista veiculada ontem no "Programa 3 a 1", da TV Brasil, Sarney disse que, se depender dele, a aliança está garantida. "Se depender de mim [Dilma terá o apoio do partido]. E eu estou pagando um pouco por isso justamente porque defendo que a melhor solução para o PMDB é acompanhar o acordo que tem com o presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] e acompanhá-lo na sucessão para dar prosseguimento ao que ele está fazendo."

Sem comentar os outros possíveis candidatos à Presidência - são pré-candidatos o governador José Serra (PSDB-SP), o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e a senadora Marina Silva (PV-AC) - Sarney foi só elogios à Dilma. "A ministra representa a continuidade do governo Lula e, na medida em que as ações implementadas estão dando certo, se faz necessário prosseguir".

Sarney atribuiu parte dos problemas políticos vividos por ele à defesa da aliança com a candidata do PT. "Eu comecei a ser visto não como um presidente do Senado, como das outras vezes tinha sido, mas como uma peça que sendo do PMDB, ligado ao presidente Lula, evitaria, em qualquer circunstância, que o PMDB pudesse deixar de ser aliado do presidente Lula (sic)".

Sarney reconheceu o esforço do Planalto, mas admite que há setores do PT que ainda não se acostumaram com a proximidade entre ele e Lula. Responsabiliza os integrantes desses "grupos" - sem citar nomes - como parte responsável pela situação em que se encontra a Casa. "[Eles] colaboraram até a última hora, nós assistimos a isso no desenrolar dessa crise."

Na entrevista à TV Brasil, Sarney elogiou o presidente Lula, que, para ele, é o ponto de coesão nacional neste momento de enfraquecimento das instituições políticas brasileiras. "No dia em que nós tivermos um presidente que for ´tantan´, aí isso aqui vira uma bagunça que não tem tamanho", disse.

Sobre a crise política no Senado, Sarney prometeu mudança profunda na estrutura administrativa da Casa, reduzindo as diretorias para apenas sete. "Sete diretores é a proposta que temos. Existem as resistências e nós vamos fazer a reforma administrativa que me propus a fazer". A reforma terá como base um estudo encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV). (PTL)