Título: Reajuste de preço do aço provoca reações
Autor: Durão , Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 04/09/2009, Empresas, p. B8

O presidente do Instituto Nacional de Distribuidores de Aço (INDA), Carlos Jorge Loureiro, confirmou ontem o reajuste entre 10% a 13% nos preços do aço produzidos pela Usiminas e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) desde o início do mês. A medida já afeta os fabricantes de máquinas e provoca reações na indústria automobilística, que prepara-se para pedir interferência do governo federal. O repasse do custo no preço dos veículos coincidirá com a volta da cobrança do IPI nos automóveis. "Esse é o pior dos mundos", disse um representante das montadoras.

Loureiro disse ao Valor que as siderúrgicas decidiram reposicionar seus preços no mercado interno depois que começaram a retirar os descontos - que em alguns casos chegaram a até 35% a 40% - dados aos clientes durante a crise dos mercados. Em 1º de setembro a Usiminas passou a trabalhar com novo preço e foi seguida pela CSN.

A percepção da indústria é de que o aumento da demanda no Brasil animou as siderúrgicas a elevarem os preços. Além disso, os executivos lembram que a importação de alguns tipos de aço voltou a ser tributada em junho.

"De repente o cenário ficou propício para o aumento", afirma o presidente da Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias da Abimaq, Antônio Carlos Bonassi. Os projetos de infraestrutura estão acelerados, o que poderá incentivar novos reajustes. No caso das máquinas rodoviárias, a chapa grossa de aço representa mais de 30% do custo do equipamento. "Se para nós (fabricantes de máquinas) o momento do reajuste não é bom, para eles (siderúrgicas) certamente sim", pondera Bonassi.

Nas montadoras, cada empresa vai estudar como será o repasse. Mas a negociação dos fabricantes de veículos com os fornecedores de peças que já vão pagar o reajuste começa a se acirrar. "É um absurdo uma indústria que está com fornos desligados no exterior em razão da capacidade ociosa tome essa atitude no Brasil", diz uma fonte do setor.

Para Loureiro, do INDA, "vai ter a gritaria de sempre", mas o mercado vai absorver o aumento porque está ocorrendo desde julho uma retomada firme da demanda por produtos siderúrgicos. A rede de distribuição de aço está sentindo a recuperação nas vendas. Em julho foram negociadas 305 mil toneladas de aço, o melhor número do ano. E agosto já mostra que será melhor, com os distribuidores vendendo entre 315 mil a 320 mil toneladas, ou 3% a 4% acima de julho. "No ano passado a média anual de vendas da distribuição foi de 315 mil toneladas", diz. Loureiro crê que em setembro e outubro os números do INDA serão ainda melhores, pois as carteiras de encomendas das usinas já estão lotadas.

Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, acredita que Usiminas e CSN estão testando o mercado. "Há uma volta à normalidade dos estoques na ponta da distribuição. Vamos ver até que ponto as siderúrgicas vão conseguir repassar esta alta. A crise ainda não acabou e é cedo para pressionar o cliente", diz, ao lembrar o aumento gradual do IPI dos carros e linha branca a partir de outubro. "Crédito e financiamento em vários meses não será suficiente para manter a demanda aquecida", completa. Procuradas, CSN e Usiminas não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

A maior alta, na faixa de 13%, foi para o laminado a frio e a chapa zincada, produtos consumidos pela linha branca, indústria automotiva e construção civil, setores que tiveram uma retomada muito forte. "Os bens de consumo puxaram os laminados a frio", informa Loureiro . Segundo ele, a carteira de pedidos de chapa zincada está lotada e os estoques praticamente acabaram. Já a chapa grossa usada na indústria de bens de capital, infraestrutura (construção naval, vagões) e no setor sucroalcooleiro, ainda está com estoques altos.