Título: Gripe suína, Receita e Sarney afetam popularidade de Lula
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 09/09/2009, Política, p. A9
Pesquisa CNT/Sensus realizada entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro de 2009, com 2 mil pessoas, mostrou queda na aprovação pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na avaliação de seu governo, que continua positiva, mas caiu acima da margem de erro, que é de três pontos percentuais: de 69,8% em maio, para de 65,4%.
Já a aprovação de Lula caiu de 81,5% para 76,8%. De acordo com o presidente do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, três fatores contribuíram para esta queda: a gripe suína, porque o governo não conseguiu passar à população confiança na maneira com que estava enfrentando problema; a denúncia de que a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) interferira num processo relacionado à família Sarney, feita pela ex-secretária da Receita, Lina Vieira; e o fato de Lula ter avocado crises políticas recentes, como a ocorrida no Senado, em que forçou o PT a apoiar a manutenção do senador José Sarney (PMDB-AP), alvo de diversas denúncias, na presidência do Senado
Guedes afirma isto com base, principalmente, na amostragem da população na qual Lula perdeu aprovação: regiões Sul-Sudeste; população urbana; feminina; jovens e idosos (mais afetados pela onda de gripe) e entre os brasileiros com maior nível de escolaridade. O surto de gripe suína tem um peso considerável nesta avaliação: 41,4% dos entrevistados acham que o país não está se defendendo adequadamente neste caso.
Eram 32,6% em maio. "Aumentou a avaliação crítica da população. É evidente que influencia na avaliação geral de governo", declarou Guedes.
Numa comparação com outra crise vivida recentemente pelo país - a das finanças internacionais - a diferença de percepção da população em relação à atuação do governo é nítida: é de 27,4% o percentual dos entrevistados que consideram que o Brasil não tem lidado adequadamente com a crise financeira.
Em relação à eleição presidencial de 2010, a pesquisa divulgada ontem mostra um cenário completamente aberto, com a entrada em cena da possível candidata do PV, a senadora Marina Silva (AC). Na primeira simulação, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) aparece com 39,5%, seguido de Dilma Rousseff, com 19%; a vereadora de Maceió Heloísa Helena (P-SOL) com 9,7% e Marina, com 4,8%. Mais uma vez o Sensus não coloca o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) no cenário com Serra e Dilma, segundo alega, porque Ciro, até semana passada, não explicitava que era candidato.
Se o cenário apresenta uma troca entre os candidatos tucanos, Dilma aparece com 23,3%, o governador de Minas, Aécio Neves, com 16,8%, Heloísa Helena, com 13,5% e Marina Silva com 8,1%.
Pela pesquisa, o candidato mais viável para a base governista, no momento, é, de fato, Dilma Rousseff. Quando há uma substituição da petista por Ciro, o pessebista aparece com 8,7% das intenções de votos e Serra vai para 40,5%. Já contra Aécio, Ciro tem um resultado um pouco melhor, mas, mesmo assim, permanece em terceiro: ele teria 12% das intenções de voto e Aécio, 17,6%.
Os cruzamentos de segundo turno mostram uma ligeira queda na intenção de votos em Dilma. Pela simulação, Serra aparecia com 49,7% das intenções de voto em maio e, hoje, tem 49,9%. Dilma oscilou de 28,7% para 25%. Quando o candidato do PSDB é Aécio, Dilma sai vitoriosa, mas o fenômeno se repete: a petista cai de 39,4% para 35,8% das intenções de voto e o governador mineiro teria 25,9% em maio e 26% em setembro.
O caso Lina Vieira pesou nesta queda, segundo Guedes. Apesar de 50,2% dos entrevistados não terem ouvido falar do assunto, quem acompanhou (41,5%), acreditou mais em Lina do que em Dilma. Para estes, 35,9% acham que a ex-secretária da Receita Federal está dizendo a verdade ao afirmar que encontrou-se com Dilma para tratar sobre a investigação da Receita contra Fernando Sarney e 23,6% acreditam na ministra quando ela diz que o encontro jamais existiu.
Para Guedes, outros números precisam ser olhados com atenção. Dilma apresenta 37,6% de rejeição e 17,1% de desconhecimento entre os eleitores. José Serra tem, respectivamente, 29,1% e 5,2%. Já Marina Silva tem 39% de rejeição, mas é menos conhecida que Dilma - 33,3% não a conhecem. Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores é a transferência de votos de Lula. Pela pesquisa, 20,8% votariam em um candidato apoiado pelo petista. "É a intenção de votos em Dilma. Ela ainda não agregou valor eleitoral próprio", avaliou o presidente do Instituto Sensus.